Em pleno Douro Vinhateiro há um edifício que faz lembrar uma nave espacial. E que, além de dar conhecer ao pormenor o seu interior, convida também a apreciar os vinhos que ali se produzem.

Quem tem a ideia de que as adegas são todas iguais que se desengane. Um dos exemplos de que não é sempre assim é a da Gran Cruz, que também serve de centro logístico, logo diferente na arquitetura. A quem a vê de longe parece uma nave espacial acabada de aterrar em Trás-os- Montes, nos arredores de Alijó. Curiosamente, hoje ninguém acreditaria que, antes de adega, aquele espaço estava degradado e era ocupado por um estaleiro de construção civil. A obra, que até são duas adegas numa só, é um projeto da autoria de Alexandre Burmester e envolveu um investimento de cerca de 16 milhões de euros.

O edifício integra uma adega maior, de grandes volumes, que tem capacidade para vinificar seis mil toneladas de uvas, e outra mais pequena, para vinhos especiais, tanto portos como do Douro, com capacidade para 600 toneladas. A este edifício futurista chegam uvas adquiridas a mais de três mil viticultores, de vários municípios durienses – entre eles Alijó, Murça, Sabrosa, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor.

Há pouco mais de um mês, a Adega da Gran Cruz – inaugurada pelo Presidente da República em junho de 2014 – passou a ser visitável mediante marcação. Ao longo de 45 minutos, pode conhecer-se por dentro todo o espaço, que inclui 35 quilómetros de tubagens, entre outras curiosidades interessantes. A visita inclui também prova de vinhos, do vasto leque da empresa – detida pelos franceses da La Martiniquaise.

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O edifício lembra uma nave espacial e serve de centro logístico da Gran Cruz. É possível visitá-lo e fazer prova de vinhos.

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Para se ter uma ideia, a Gran Cruz, dona das marcas Porto Cruz e Dalva, é responsável por mais de 20% da produção do vinho do porto e é a maior exportadora deste produto, com 25 milhões de garrafas vendidas, que chegam a mais de cinquenta países. Contudo, mesmo tratando-se de um grupo de grandes dimensões, não tem vinhas próprias. Ou melhor, não tinha: no final do ano passado compraram a Quinta de Ventozelo, propriedade de 400 hectares, metade dos quais ocupados por vinhedos, na margem esquerda do rio, freguesia de Ervedosa do Douro.

É aqui que a Gran Cruz produz vinhos de uvas próprias para desenvolver o negócio de nicho de alta qualidade. A quinta existe desde o século XVI e mereceria, também ela, visita – contudo, ainda não é possível desfrutar «enoturisticamente» desta paisagem, que inclui alguns edifícios de traça rústica com grande potencial.

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Mas se a quinta não se visita, os seus vinhos estão aí como cartão-de visita. Recentemente lançados, há um tinto, o Ventozelo Syrah Regional Duriense 2014, e um branco, o Ventozelo Viosinho Douro 2014. E é bebendo que melhor se homenageia esta região de vinho e belas paisagens.

Adega Gran Cruz
Zona Industrial, Alto da Giesteira (Alijó)
Tel.: 223706490
Preço: 5 euros (inclui visita e prova de vinhos)
Marcação: visitasadega@grancruz.pt

Texto de Tiago Guilherme - Fotografias Gonçalo Villaverde/Global Imagens