Mala Diplomática: Tesouros dos países vistos pelos embaixadores.

Josef Adamec, embaixador da Eslováquia em Portugal, ainda se recorda da primeira vez que viu o Danúbio: «Devia ter 6 ou 7 anos e numa visita familiar a Bratislava demos um passeio no barco que na época ligava as duas margens», conta, num português fluente, este diplomata que já foi embaixador no México e no Brasil. Independente desde 1993, quando se deu a partição pacífica da Checoslováquia, a Eslováquia é um país com pouco mais de metade da população de Portugal e com um território também mais ou menos metade do nosso. Curioso é que a capital, Bratislava, fica no extremo ocidental, a uma hora de comboio de Viena, sendo também possível viajar da capital austríaca via Danúbio, um rio «que une os povos», diz o diplomata.

Josef Adamec é embaixador eslovaco em Lisboa desde 2013. Foi diplomata em Angola e no Brasil e fala fluentemente português. Nasceu em Trencin e tem 58 anos.

Ora, os eslovacos têm imenso orgulho no Danúbio, o segundo maior rio da Europa, e gostam do charme que dá à sua pequena capital. «Tem sido feito um grande esforço para enquadrar cada vez mais a cidade com o rio. Queremos que o Danúbio se incorpore na vida de Bratislava. Por isso, as margens estão a ser tratadas, estamos a criar zonas de lazer», conta o diplomata que nasceu em Trencin, «onde passa um afluente do Danúbio».

Nas memórias de juventude de Josef Adamec estão os tempos em que se costumava nadar no Danúbio, numa espécie de piscina fluvial. E também se pescava então muito no rio, a que os eslovacos chamam Dunaj. Aliás, sublinha o diplomata, há um braço do Danúbio onde ainda se costuma pescar.

«O Danúbio é um rio que une os povos»

Falando de tempos de juventude, o homem que é embaixador em Lisboa desde junho de 2013 cedo se interessou em aprender a língua portuguesa. E na época da Checoslováquia comunista foi estudar para a União Soviética, na escola para diplomatas em Moscovo, tendo para ajudar à aprendizagem do português a possibilidade de ler o Diário de Notícias na biblioteca. «Tinha de ser feito um pedido especial para ler o DN, mas era muito interessante ver as notícias», diz Josef Adamec, que quando chegou a Portugal fez questão de visitar o edifício-sede do jornal.

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Com o Danúbio a ajudar, Bratislava tem-se imposto como uma capital cultural, onde muita gente vai para assistir a ópera, herança do Império Austro-Húngaro. Assim, via turismo, o Danúbio contribui de mais uma maneira para a economia eslovaca. Outras são as barragens e o transporte fluvial. E há também o vinho, com uma nova casta batizada com o nome Dunaj, que ambiciona cativar os apreciadores.

«O Danúbio tem em comum com o Tejo serem ambos rios monumentais.»

«Não tenho dúvidas de que o Danúbio é um símbolo nacional, assim como as montanhas Tatras. O tema Danúbio surge sempre na música e na literatura eslovacas», afirma o embaixador.
Visitante regular de Lisboa desde os tempos em que era diplomata em Angola e fazia por cá escala para regressar a casa, Josef Adamec confessa gostar muito do Tejo, que «tem em comum com o Danúbio serem ambos rios monumentais». Mala Diplomática