Não quer perder o seu carácter rural e interior, mas quer relacionar-se com o resto do mundo. Baião, a uma hora do Porto, vê agora nascer um hotel-escola de cinco estrelas, trilhos de BTT e já exporta produtos gourmet feitos com cogumelos shiitake.

É por estradas apertadas, com curvas e contracurvas, que Baião se dá a conhecer aos visitantes. Esta terra duriense, a 70 quilómetros do Porto, é rica em património e natureza, mas também em inovação. Apesar da geografia, não é um sítio fechado sobre si mesmo. A inauguração recente do Douro Royal Valley Hotel & SPA, um hotel-escola de cinco estrelas, mostra a potencialidade turística do território. E não é só no turismo que Baião se está a desenvolver. A Casa do Vale, com a sua criação de cogumelos shiitake e produtos gourmet, está também a dar a conhecer o município fora dos seus limites.

É ao lado da albufeira da Pala, a parte mais larga do Douro, com Cinfães na outra margem, que se ergue o Douro Royal Valley Hotel & SPA. A arquitetura do edifício funciona em articulação com o rio, apresentando- se em socalcos que acompanham a geografia da encosta onde foi construído. Desenhado pelo arquiteto Rui Castro, apresenta linhas simples e sóbrias. Quatro dos seus dez pisos recebem os quartos, todos eles virados para o Douro e com varanda, o que dá a sensação de se estar mesmo em cima do rio.

Os 64 quartos e as seis suites encontram-se entre o terceiro e o sexto andar. Neste e no sétimo funciona o spa, com piscina interior, vários tipos de duche, áreas de relaxamento e quatro salas temáticas de massagens. O elemento mais impressionante de todo o projeto arquitetónico: o terraço da piscina exterior e a própria piscina, que dão a ilusão de a água deslizar para o rio. O Douro Royal Valley abriu em maio e durante o verão «a taxa de ocupação foi muito boa», admite Luís Correia, do Instituto Politécnico do Porto (IPP), entidade que gere o projeto com a JASE, empresa proprietária do Douro Palace, mas desde essa data «já foram feitos ajustes». Pequenos ajustes serão uma constante neste hotel que é também uma escola – o Porto School Hotel. Luís Correia explica que «o edifício está preparado para receber setenta alunos», tendo trinta e cinco quartos para o efeito. «Todo o hotel é uma sala de aula», acrescenta. «A lógica é de estudo em contexto de trabalho, como nas escolas suíças do género.» Os cursos têm início no próximo ano.

Os 64 quartos e as seis suites encontram-se entre o terceiro e o sexto andar. Neste e no sétimo funciona o spa.

Uma das apostas do hotel é o restaurante, que quer «viver com uma certa autonomia», explica o diretor comercial, Rudi Azevedo. O Palato d’Ouro, aberto a não hóspedes, é dirigido pelo chef Emanuel Coelho (ex-Pousada do Freixo), que define a sua cozinha como sendo de fusão. Junta aqui a experiência que ganhou fora de portas com a tradição portuguesa: «As cores e sabores frescos de Itália são realçados com os produtos locais.»

A fusão de saberes e a vontade de inovar é também traço essencial da Casa do Vale, quinta de cinco hectares situada três quilómetros acima do hotel, no lugar de Balde. Otília e Jorge Cardoso adquiriram-na há 30 anos para «escapadinhas de fim de semana».

A três quilómetros acima do hotel, fica uma quinta de cinco hectares, a Casa do Vale, onde se vendem produtos locais.

Queriam fugir ao rebuliço portuense e descansarem de olhos postos no Douro. Otília, a quem não faltava experiência na vida rural – a família tinha uma quinta de produção de vinho do Porto –, começou a moldar o espaço e da terra saíram uvas para vinho e outros produtos locais. Mas havia um problema: manter a quinta era difícil e dispendioso. Há quatro anos começaram a projetar a sua rentabilização. «Tínhamos vinho e laranjas. Mas para fazer vinho as despesas são grandes e os produtos locais não são rentáveis », diz Jorge. A solução, além de abrirem portas ao turismo rural, foi dirigirem o olhar para outras paragens e o oriente trouxe a solução.

Os shiitake (Lentinula edodes), nativos da Ásia, são atualmente muito procurados tanto pelo sabor como pelas qualidades nutritivas. Das cinco estufas da Casa do Vale não saem apenas caixas de cogumelos frescos. Estes também são desidratados, transformados em farinha e usados como base para produtos gourmet, como chutney e vinagreta de cogumelos. Do pomar saem laranjas da Pala e outros citrinos para compotas com outros sabores da região, como o vinho verde ou porto. A quinta, onde também é possível adquirir os produtos, está aberta a visitas. Oportunidade para se usufruir do Douro noutra das suas «varandas».

Ficar

Douro Royal Valley Hotel & Spa
Portela do Rio, Pala, Ribadouro
Tel.: 255070900
Web: douroroyal.com
Quarto duplo a partir de 119 euros
Restaurante Palato D’ouro
Das 12h30 às 15h00 e das 19h30 às 22h30. Não encerra.
Preço médio: 30 euros

Passear

Novos trilhos BTT
A delimitação e sinalização de quatro novos trilhos para a prática de BTT no concelho é apenas «o início de um projeto que durante 2016 verá nascer várias infraestruturas». Elsa Pinheiro, da Dolmen, associação para desenvolvimento da região, explica que o projeto envolve associações da modalidade e de desportos de natureza. O objetivo é promover as riquezas naturais e o património. Todas as rotas começam e acabam no Centro Hípico, onde durante o próximo ano será inaugurado um centro de BTT. O percurso Verde (nível fácil, 10 km) passa em Almofrela e vai até à aldeia de Aboboreira. O Azul (moderado, 18 km) vai pelo estradão da Meia Encosta, subindo em direção à Capela da Senhora da Guia e atravessando o planalto da serra da Aboboreira. Os trilhos de nível difícil (Vermelho, 33 km) e muito difícil (Preto, 64 km) foram pensados para ciclistas experientes.

Visitar

Casa do Vale
Rua de Balde, 669, Balde
Tel.: 964099380
Web: casadovale.com.pt

Comer

Tasca do Dino
Depois de 30 anos a funcionar no Marco de Canaveses, a Tasca do Dino quis expandir-se e abriu, há dois anos, um pequeno restaurante em Baião, entre o rústico e o moderno. Sentido prático, quando se liga a reservar pode logo escolher-se o que se vai comer. Quem deixar que seja  a casa a escolher terá muitos petiscos a passar pela mesa, e eles só param de servir quando o cliente assim o ordenar. Queijo, presunto, pataniscas, moelas, rojões, alheira e fígado de vitela grelhados são alguns dos petiscos. Recomenda- se a reserva de espaço para o leite-creme, servido em tacho e acabado de fazer, e para o café com cevada preparado à moda antiga.
Rua de Camões, Campelo
Tel.: 919445826
Das 14h00 às 00h00. Encerra à segunda.
Preço médio: 12 euros

Texto de Luísa Marinho - Fotografias de Artur Machado/Global Imagens