Comida bem feita e bem servida, paisagem bonita e um atendimento gentil. A Casa da Guripa, em Angeiras, aplica uma equação vencedora.

A casa era o balneário de uma família rica do Porto, que a usava para banhos de iodo em tanques de água do mar aquecida ao sol. Esse refúgio marítimo construído  no anos 1930 estava vazio e degradado, no centro da comunidade piscatória de Angeiras, até dois nativos terem ali executado o sonho comum de ter um restaurante dedicado a petiscos do mar. Manuela Sousa e Marco Fonseca, ali nascidos e criados, recuperaram a casa e nela abriram, há poucos meses, um espaço contemporâneo, de acolhimento simples e agradável, soberba vista do Atlântico e uma carta de vinte petiscos que vale muito a pena conhecer.

O nome regista a história local. Ali ao pé, encontra-se um pequeno forte, onde um guarda zelava pela sinalização da costa aos barcos. À guarita, o povo chamava «guripa». Da janela da sala onde se sentam 34 pessoas, com mais dez cadeiras na pequena sala de cima, avista-se a «guripa», assim como o denso coração de Angeiras, onde se cruzam os passos quotidianos dos seus habitantes com a faina da pesca e os outros restaurantes de peixe. É uma paisagem de ternura, rematada pela espuma do mar a bater na «praia dos barcos» – que Manuela e Marco salientam como parte da experiência de comer na Casa da Guripa. O resto é com o serviço, de franca gentileza, e com o chef Artur Granjeia.

Há um par de pratos de carne na carta, mas mencionemos apenas o prego, pela excentricidade: leva queijo da Ilha e serve-se em bolo do caco. O demais é peixe, marisco em variações, tradicionais ou de fusão, todas confecionadas e apresentadas com graça e esmerado sabor. O caldo do mar «é a imagem da casa», sublinha Manuela, mas outros pratos, mesmo os mais simples como os peixinhos da horta, também cuidam da reputação da Guripa. Há vários petiscos com marisco, mas também polvo à galega e pimentos de Padrón. Nos pratos mais fartos, destacam-se o arroz do mar e o risotto de camarão e lima. Convém seguir o conselho inscrito no menu – «Barriga cheia, pé na areia» – apenas depois de provar umas das sobremesas, como as natas do céu ou a mousse de lima, que tem criado admiradores. No rés-do-chão, por onde se entra, a barra serve de café para a vizinhança, para servir petiscos e ainda uma dúzia de gins e mojitos. E então, sim, pé na praia.


Casa da Guripa
Travessa de Angeiras, 20, Lavra
Tel.: 910609228
Das 12h00 às 00h00; sexta e sábado, até às 02h000; domingo, até às 18h00.
Encerra à segunda.
Preço médio: 22 euros

Texto de Dora Mota - Fotografias de Adelino Meireles/Global Imagens