A Serenada é uma casa de turismo rural tão perto de Lisboa quanto longe do bulício citadino. Cresceu com conta, peso e medida, mas sem perder de vista a grandeza da paisagem que a rodeia.

Jacinta e Manuel já o tinham prometido, quando abriram portas, em 2013: um dia, haviam de aumentar a produção de vinho e o número de quartos. Sem ambições de crescimento desmesurado, entenda-se. A Serenada nasceu com espírito boutique, e assim se manterá. Ali, num cabeço de vinha e olival que se ergue da planura, de grandioso só a vista. E que vista: em dias limpos, alcança-se Setúbal, Arrábida e cabo Espichel, apesar de se estar meia centena de quilómetros a sul. É esse o primeiro grande impacto à chegada. Na receção há logo uma janela a toda a largura da sala que expõe esta magnífica visão.

Depois, descobre-se as coisas em ponto pequeno. Os quartos, confortáveis, espaçosos, mas não mais do que meia dúzia – foram recentemente adicionadas duas suites com um tremendo efeito cénico para quem ali acorda, as camas voltadas para a paisagem a perder de vista. Ao contrário dos quartos, de ambiente mais conservador (não confundir com «aborrecido»), pontuados por elementos ligados ao vinho, as suites combinam mais com o estilo das áreas comuns, predominando as linhas retas, as amplas janelas que inundam o interior de paisagem e luz natural.

O efeito cénico das janelas é tremendo: inundam o interior de paisagem e luz natural.

Ainda em ponto pequeno, importa falar dos vinhos. Porque foi daí que A Serenada nasceu, de uma vinha de 1,6 hectares que o pai de Jacinta plantou em 1961, ano do seu nascimento. Uma vinha plantada com teimosia, porque lhe diziam que não ia pegar ali, mas pouco caso fez e antes se socorreu dos conselhos de produtores da Bairrada, habituados a lidar com a influência marítima. Daí que aqui predominem castas que não se vê por estes lados, como a Baga. A vinha entretanto cresceu, mas, lá está, sem grandes voos. Hoje são 4,5 hectares, que produzem 20 mil litros.

À mesa, os vinhos da casa são apreciados com pratos caseiros, de espírito regional. Coisas de substância, como o jantarinho alentejano (prato copioso, de massa, grão, enchidos, carne de porco) ou o bacalhau no forno (simples mas muito mais rico do que se imagina), que reconfortam tanto quanto o fogo que aquece o ambiente. Os vinhos, que têm na linha Cepas Cinquentenárias o porta-estandarte, são aromáticos, gastronómicos, apelam à mesa. Mas também a serões de conversa à lareira. Ou a finais de tarde a ver o dia desaparecer no horizonte. São as pequenas coisas que fazem a grande felicidade.

A Serenada Enoturismo
Outeiro André, Sobreiras Altas, Melides
Tel.: 269498014
Web: serenada.pt
Quarto duplo a partir de 80 euros; suites a partir de 120 euros por noite (ambos os preços incluem pequeno-almoço)


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Texto de João Mestre - Fotografias de Gonçalo Villaverde/Global Imagens