Aliar espaço de produção e zona de consumo foi o objetivo dos cervejeiros Francisco Pereira e Filipe Macieira quando transformaram a fábrica da Letra no Brewpub Letraria, um bar onde as cervejas saem da cuba diretamente para o copo.

A Letra foi uma das primeiras cervejas artesanais portuguesas a impor-se no mercado. Apareceu em 2013. Um par de anos depois, a marca minhota abriu um brewpub. Isto é: um bar onde se produz cerveja. Na Letraria, em Vila Verde, o pub e a fábrica estão separados por uma parede de vidro, através da qual se pode espreitar a zona de produção enquanto se saboreia a cerveja da casa à pressão e se petisca.

«O nosso objetivo era manter a fábrica e abrir um pub que permitisse interação máxima com a zona de fabrico», explica Francisco Pereira, um dos cervejeiros de serviço. Apesar de ser nos meios «mais urbanos que a cerveja artesanal está a proliferar», Vila Verde pareceu- lhes boa aposta. Está a dez minutos de Braga e tem tradição de produção de lúpulo. «Há uns anos havia plantações. Temos um projeto para reativar essa cultura, e já temos plantação-piloto de uma nova variedade que estamos a estudar», diz. Além disso, o projeto da cervejaria foi considerado de interesse municipal pela câmara, com a qual fizeram uma parceria para a instalação da empresa na vila minhota.

Francisco acredita que só fazia sentido abrir ali a Letraria, para promover a proximidade entre clientes e produtores e «explorar ao máximo o conceito de brewpub». Por isso, aos sábados (das 17h às 19h) há visitas guiadas à fabrica. Mas isto não quer dizer que o conceito da Letraria, com o mesmo estilo e com as cervejas da marca servidas à pressão, não possa expandir para outros sítios, como Porto ou Lisboa.

A carta de petiscos, pensada pelos cervejeiros e pela chef Sónia Coelho, inclui propostas de harmonização bem como comida feita com cerveja.

Como «os minhotos ainda não têm o hábito de sair do trabalho e ir tomar um copo, a Letraria tem funcionado melhor nas noites de fim de semana», durante a hora do jantar. Os petiscos disponíveis foram pensados entre os cervejeiros e a chef Sónia Coelho, responsável pela cozinha. «Apostamos num conjunto de petiscos que têm em conta caraterísticas locais» – note-se que a carne dos hambúrgueres, dos bifes e dos croquetes é minhota. Também criaram propostas de harmonizações de cerveja e comida confecionada com cerveja, como a sanduíche stout, de pá de porco estufada na dita cerveja preta.

Além das variedades-base da marca – as letras A, B, C, D, E e F –, também é possível encontrar as edições sazonais e limitadas, como a linha LetraonOak, de cervejas maturadas em casco de carvalho reutilizado do processo de envelhecimento do vinho do porto, uma parceria com a Quinta do Portal.

Harmonização: a sugestão dos cervejeiros da Letra
Letra A – Weiss: pratos leves, saladas e carnes brancas
Letra B – Pilsner: pratos leves, mariscos e peixe em geral
Letra C – Stout: queijos, enchidos e sobremesas doces
Letra D – Red Ale: carnes vermelhas, hambúrgueres e pratos picantes
Letra E – Belgian Dark: queijos fortes e sobremesas em geral
Letra F – India Pale Ale: queijos e carnes vermelhas picantes

Letraria Brewpub
Avenida Professor Machado Vilela, 147
Tel.: 964212951
Web: facebook.com/letrariabrewpub
Das 16h00 às 23h00; sexta e sábado, até às 01h00
Encerra de segunda a quarta (A partir de abril, das 17h00 às 02h00; encerra à segunda)
Preço médio: 10 euros

Texto de Luísa Marinho - Fotografias Gonçalo Delgado/Global Imagens