Em 1949, o belga Hergé lançou o livro de banda desenhada O Templo do Sol, uma aventura do repórter Tintin pelo misterioso Peru. Em 2016, 67 anos depois, tudo indica que o país vai servir de cenário às filmagens da adaptação ao cinema de tão famosa epopeia. A realização está a cargo de Peter Jackson, o mesmo da saga O Senhor dos Anéis e a estreia não será antes do final de 2017. Antes que o Peru se torne – ainda mais – um destino de multidões, esta é uma boa altura para visitar o antigo território do império inca.

Comece por descobrir a capital, Lima, junto ao oceano Pacífico. Além do interesse histórico e da vibração cultural de bairros como o de Barranco, é uma porta de entrada fundamental para fazer a habituação ao país. Está ao nível do mar, o que contrasta bastante com a segunda paragem aconselhada: Cuzco, a 3400 metros de altitude.

Desembarcar de um avião no aeroporto local pode ser uma experiência cansativa. A rarefação do oxigénio faz que o organismo leve algum tempo a adaptar-se. Há comprimidos que ajudam a minorar os efeitos ou a receita tradicional – chá de coca. Calma, não é nenhuma substância proibida, trata-se apenas de uma bebida tradicional à base de folhas de coca consumida há séculos nesta região do mundo. Cuzco significa «umbigo do mundo», tem cerca de 300 mil habitantes e foi a capital do império inca. É lá que vai poder encontrar o famoso Templo do Sol, as igrejas de Santa Clara e San Blas e diversas construções onde estão presentes as enormes paredes de pedra construídas pelos incas, como as fortalezas de Ollantaytambo e Sacsayhuaman.

Curiosidade
O Pisco Sour é a bebida nacional do Peru e inclui Pisco, limão, água com açúcar, clara de ovo e gelo. O Chile também reclama a bebida como sua.

De Cuzco, há duas hipóteses para chegar a Machu Picchu, a cidade perdida que só foi descoberta pelos europeus (e pelo resto do mundo), no início do século xx. A pé ou de comboio até Águas Calientes e daí caminhando ou em autocarro turístico. Se optar pelo Caminho Inca prepare-se para uma viagem única através das montanhas. No mínimo, serão quatro dias a andar, mas há outras opções mais longas. De comboio, o esforço físico é consideravelmente menor e esta opção é ideal para quem não dispõe de muitos dias de férias. No final, o resultado é encontrar uma cidade mágica que se manteve sempre intocável perante as investidas dos invasores espanhóis como Francisco Pizarro. Um dia inteiramente dedicado às ruínas de Machu Picchu tem de fazer parte do calendário.

No Sul do Peru, outro motivo de interesse se impõe: as linhas de Nazca, no deserto com o mesmo nome. São totalmente percetíveis desde o ar e fazem parte da lista da UNESCO de Património Mundial desde 1994. Estendem-se por mais de 80 quilómetros e pensa-se que terão sido criadas há mais de dois mil anos. Pássaros, aranhas, macacos, peixes e lagartos são algumas figuras retratadas.

A herança inca continua patente nas ruas do país, em especial no interior. Cusco, antiga capital desse império, é um bom exemplo da memória coletiva.

É um rico país este. E não só em termos de património histórico. A gastronomia é outra das razões para o descobrir. A cozinha peruana está na moda em termos internacionais, sendo um dos ingredientes principais a batata – o país tem mais de 3000 variedades diferentes.

A não perder

Machu Picchu: é o destino mais óbvio do Peru, mas não deixa de ser imperdível por isso. Faz parte da lista de desejos de viajantes de todo o mundo. A cidade foi «descoberta» pelo norte-americano Hiram Bingham em 1911.
Cuy: prato tradicional do Peru, mas nem sempre visto da melhor forma pelos turistas. Trata-se de porquinho-da-índia, sendo que o roedor é criado especificamente para o fim de ser assado e degustado em ocasiões festivas.
Lago Titicaca: faz fronteira com a Bolívia e é o lago mais elevado do planeta, 3800 metros acima do nível do mar.
Intu Raymi: Festival do Sol, um dos maiores eventos pagãos da América do Sul. Decorre a 24 de junho em Cuzco e inclui música, dança e diversas performances.

Dicas

Moeda: Novo Sol (0,26 euros)
Fuso horário: GMT -5 horas
Idioma: existem três oficiais, castelhano, quechua e aymara.
Quando ir: De dezembro a fevereiro há chuva nas montanhas e bom tempo na costa. Entre junho e agosto é ideal para as caminhadas nos Andes e para descobrir a floresta amazónica. peru.travel
Onde ficar:
Casa Cartagena Boutique Hotel & Spa
Hotel de luxo no centro histórico de Cuzco, autêntico refúgio que combina o tradicional com o moderno. As suites estão dispostas em redor de um pátio típico.
Pumaruco 336, Centro Histórico
Tel.: +51 84224356
Suites a partir de 395 euros por noite com pequeno-almoço
casacartagena.com

Texto de Ricardo Santos - Fotografias Direitos Reservados