Quando pensamos em Nova Iorque é o panorama dos arranha-céus de Manhattan que se destaca nas nossas imaginações. No entanto, é mesmo ali ao lado, na vibrante Brooklyn, que se encontram os melhores – e mais saborosos – segredos desta cidade dos EUA.

Brooklyn é para tomar de copo cheio. O menu do dia é de piza a la italiana, salsicha polaca, a rematar com um bombom de vinho do porto. Tudo ao som dos ritmos caribenhos ou de melodias chinesas. É aqui que uma comunidade variada e vibrante faz pulsar as águas do East River. Entre as tradições centenárias das comunidades residentes e a invasão dos hipsters, ressoa um sentimento comum: o orgulho.

Brooklyn teve o seu início com a chegada dos holandeses aos Estados Unidos, que batizaram de Nova Amesterdão a colónia que agora é Nova Iorque. Foi uma cidade autónoma até ao final do século XIX, altura em que se tornou um dos cinco burgos da cidade de Nova Iorque, juntamente com Manhattan, Queens, Staten Island e Bronx. Apesar da indexação à cidade de Nova Iorque, Brooklyn retém uma identidade própria. «Não sou new yorker. Eu sou brooklyner» ouve-se pelas ruas, reforçando diariamente este sentimento.

Tradicionalmente habitado por judeus ortodoxos e polacos, nos anos 1970 do século XX, o bairro de Williamsburg começou a acolher artistas e intelectuais que procuravam rendas mais aceitáveis. Rapidamente apelidados de hipsters, encheram o bairro de galerias de arte, livrarias e bares de música alternativa. A partir da década de 1990 este bairro começou a ficar cada vez mais aburguesado e hoje podemos encontrar uma mistura dos residentes que têm vindo a ocupar o bairro ao longo das décadas: judeus ortodoxos com chapéus de abas e barba, que mantêm durante todo o ano nas suas varandas as sukkahs (cabanas de madeira usadas para as festividades); hipsters vestidos de forma extravagante que leem Albert Camus no McCarren Park; e novos burgueses que compram roupa «de autor» e habitam num dos renovados condomínios.

Sunset Park, ao contrário do nome pelo qual o bairro é conhecido, já foi uma zona industrial bastante cinzenta e com aroma a betão. Costumava ser conhecida por Little Norway pela sua comunidade de imigrantes noruegueses, mas hoje existe mais cor nas ruas e a maioria da população tem ascendência chinesa e latina (principalmente caribenha: Cuba, Porto Rico, República Dominicana). Aqui, encontra-se a vibrante Chinatown de Brooklyn e em muitos estabelecimentos comerciais somos recebidos com um «Hola, cómo estás?»

Além desta viagem pelos ritmos latinos e melodias asiáticas, este bairro oferece uma das melhores vistas panorâmicas de Brooklyn: o segundo ponto mais alto é no topo do Sunset Park. Daqui, conseguimos apreciar os arranha-céus de Manhattan, Jersey City e Newark.

Brooklyn Heights e DUMBO são dois bairros adjuntos e representam uma das zonas mais antigas de Brooklyn. Daqui saíam os primeiros ferries com destino a Manhattan. Aliás, a Fulton Street em Brooklyn Heights e a sua homónima em Manhattan foram assim apelidadas porque as duas partes da cidade eram unidas pela primeira empresa de transporte fluvial, a Fulton Ferry, fundada no início do século XIX.

Com casas antigas de arquitetura baixa, a zona é rodeada de igrejas, construções de tijolo vermelho e outros edifícios históricos e espaços ao ar livre, como a Brooklyn Heights Promenade. Mesmo ao lado, no DUMBO, existem várias galerias de arte abertas ao público e grande parte das empresas tecnológicas nova-iorquinas. Empreendedorismo e arte, mas não para todas as carteiras, claro… Esta é uma zona privilegiada e paga a preço de ouro. Brooklyn é um mundo e o mais populoso dos burgos de Nova Iorque, com mais de 2,6 milhões de habitantes. Difícil é mesmo escolher o que visitar ou o que fazer. Mas nós damos uma ajuda.

Texto de Diana Guerra - Fotografias Direitos Reservados