De 22 a 25 de julho, o Passeio dos 7 Mares, em Santa Apolónia, espera 1 milhão de visitantes. A Tall Ships Race 2016 traz a Lisboa mais de 50 grandes veleiros de todo o mundo e 5000 tripulantes de várias nacionalidades. Subimos a bordo para os conhecer melhor.

«É uma cidade muito colorida, como nunca tinha visto», disse Maciej Och, 21 anos, enquanto observava Lisboa na aproximação ao cais de Santa Apolónia. Alinhado ao lado dos colegas, o polaco é apenas um dos 114 jovens tripulantes a bordo do Dar Młodzieży. São estudantes da maior escola náutica da Polónia, estão embarcados há duas semanas, desde que se iniciou a regata dos maiores veleiros do mundo. A Tall Ships partiu de Antuérpia, na Bélgica, teve como rumo Lisboa, que acolhe durante este fim-de-semana os sessenta veleiros, irá partir, na segunda-feira, para a cidade espanhola de Cádis, e termina na Corunha, de volta ao norte, onde os veleiros ficarão de 11 a 14 de agosto.

A aventura a bordo tem sido mais longa para Lukasz Romanów. Também de 21 anos, é um dos três instrutores responsáveis pela tripulação. A última vez que esteve em casa foi em janeiro, quando embarcou. «Os praticantes vão trocando, de mês a mês, mas eu estou sempre cá. E gosto muito disto».

Todos trabalham oito horas por dia, repartidas por turnos, consoante as tarefas atribuídas. Acordam às seis da manhã para praticar exercício, tomam o pequeno-almoço e têm uma reunião com o master que define o programa do dia. Voltam a dormir, despertam às 11 horas para o almoço e, de seguida, regressam ao trabalho. Garantem que há sempre qualquer coisa para fazer num navio com 108 metros de comprimento. Principalmente nas limpezas.

Enquanto o navio-escola entrava Tejo adentro, e ainda antes de passar por baixo da Ponte 25 de Abril, cerca de metade dos tripulantes tinham já os arneses vestidos e começavam a trepar pelas redes. Ocupavam os três mastros, cada um com a sua posição ordenada, e, lá do alto, soltavam cânticos que, mesmo noutra língua, se percebia serem de alegria.

Durante o fim-de-semana haverá alguma animação no cais de Santa Apolónia, mas os jovens marinheiros estão curiosos é por poder conhecer Lisboa. «Qual é a praia mais próxima?», pergunta Maciej Och, ansioso por talvez conseguir ter os pés na areia. O normal de quem vive no norte da Europa. Pouco sabia sobre Portugal, mas respondeu que tão cedo não se esqueceria da derrota entre as duas seleções no Euro 2016.


Sobre a Tall Ships Race
Dos 5 mil tripulantes de 15 nacionalidades, o Diário de Notícias confirmou que há 500 jovens portugueses a participar no maior festival náutico gratuito da Europa. Uma das premissas da Tall Ships Race é a participação dos jovens, desde a primeira edição da regata quando começou há 60 anos. Metade da tripulação dos veleiros que participam (e que vão mudando nas quatro etapas da prova) tem de ter entre 15 e 25 anos. Entre os navios participantes estão seis portugueses, caso do Creoula, da Marinha, do Santa Maria Manuela ou da Vera Cruz, uma réplica exata das antigas caravelas portuguesas.

Com entrada pelo Terminal de Cruzeiros de Lisboa, junto a Santa Apolónia, o cais, até ao Terreiro do Paço está aberto gratuitamente ao público que pode ver de perto, e em alguns casos entrar. Todos os veleiros Classe A e Classe B (os maiores) podem ser visitados, gratuitamente e sem necessidade de inscrição. O Passeio dos 7 Mares estará dividido por zonas que recebem concertos, workshops, exposições, demonstrações desportivas, comida e atividades em que o público pode participar como batismos de mergulho, escalada, simulador de marinha ou passeios de helicóptero. A não perder – o desfile das tripulações no sábado, às 16h00 e 18h00, o fogo-de-artíficio no domingo, às 22h00, e para terminar na segunda-feira, às 15h00, o Desfile Náutico no Tejo.

Texto de Nuno Mota Gomes - Fotografias de Reinaldo Rodrigues/Global Imagens