O azul Majorelle nasceu neste espaço que já foi um palmeiral. Yves Saint Laurent recuperou-o e tem aqui o seu memorial.

Quem visita Marraquexe concentra-se sobretudo na medina, o centro histórico dentro das muralhas. É aí que está a famosa Praça Jemaa el-Fna, bem como os imensos mercados, os souks. Mas fora deste emaranhado de ruas estreitas e antigas há uma cidade moderna ao estilo europeu, não tivessem sido os franceses a construí-la durante a ocupação de Marrocos, que aconteceu entre 1912 e 1956. E é nessa parte nova de Marraquexe que se encontra o Jardim Majorelle.

A fila para a bilheteira costuma ser longa, mas o tempo de espera para entrar não deverá ultrapassar os 15 a 20 minutos. E vale a pena. Numa cidade onde as árvores escasseiam e se sente a proximidade do deserto e se avista ao longe as montanhas do Atlas, este jardim é quase um oásis. O nome deste espaço verde vem de Jacques Majorelle, um pintor francês que chegou a Marrocos em 1917. Cinco anos mais tarde comprou um palmeiral e ali mandou construir a sua casa de estilo mourisco e art déco, desenhada pelo arquiteto Paul Sinoir. As paredes foram pintadas num azul que ficou conhecido como o azul Majorelle, precisamente porque a cor foi criada naquele local.

Em 1947 abriu ao público e depois da morte de Majorelle, em 1962, o jardim ficou ao abandono. Em 1966, o estilista Yves Saint Laurent e o seu companheiro, Pierre Bergé, descobriram este espaço verde e compraram-no em 1980 para o salvar de um projeto hoteleiro que o iria destruir. Os novos proprietários decidiram habitar na casa de Majorelle e fizeram vários trabalhos de restauro no jardim. Após a morte de Yves Saint Laurent em 2008, as suas cinzas foram espalhadas num roseiral e construído um memorial com uma coluna romana trazida de Tânger. Outro dos pontos de interesse do jardim, com oito mil metros quadrados, é o Museu Berbere, instalado no antigo atelier de pintura de Majorelle. Contudo, a beleza, por si só, deste jardim vale bem a pena a visita.
> jardinmajorelle.com

Hotel Naora Barrière
É um grande hotel colado à medina, algo raro em Marraquexe, já que as maiores unidades hoteleiras se situam quase todas na cidade nova. Aqui tem a vantagem de ter todas as valências de um cinco estrelas e é possível chegar a pé à praça Jemaa el-Fna em dez minutos. Os quartos são espaçosos e virados para uma espécie de pátio interior onde fica a piscina e o spa. É possível alugar um ryad com piscina privada (casa tradicional marroquina).

Escola Madrassa Ben Youssef
É um dos locais mais emblemáticos da medina de Marraquexe. Uma escola islâmica do século XIV feita de madeira de cedro, estuque trabalhado, mármore e azulejos, ao melhor estilo marroquino. É possível visitar este edifício, com o seu monumental pátio, a sala para rezar e os quartos para os estudantes, que chegaram a ser 800. Aqui as crianças eram educadas e aprendiam o Corão. Esta escola recorda-nos quão avançada já era aquela sociedade.
> medersa-ben-youssef.com

Restaurante Dar Essalam
No centro da cidade fica este restaurante onde foram filmadas as cenas de O Homem Que Sabia Demais, de Alfred Hitchcock. Tem salas originais do século XVII e no conjunto formam quase um labirinto interior. O restaurante, que também é uma guest house, tem cúpulas, fontes, palcos e é decorado com azulejos, madeiras e estuque. Durante as refeições há espetáculos de música e dança do ventre. É possível comer as famosas tagines, prato tradicional de Marrocos.
> daressalam.com

Texto de Tiago Guilherme - Fotografias Direitos Reservados