Diário de bordo – outubro

Os troleys são uma das pragas das cidades do mundo – mas são inevitáveis.

Diário de bordo - outubro
Por Catarina Carvalho, diretora - Fotografia Direitos Reservados 01 Oct 2016

Os troleys com rodinhas tornaram-se uma questão maior nas cidades.

Antigamente, as pessoas iam de táxi para hotéis que tinham porteiros. Eram deixados à porta, e não havia necessidade de transportar bagagem pelas suas mãos. Depois veio a democratização das viagens – mais gente, com menos posses, jovens… Os táxis foram substituídos por transportes coletivos, que não deixam os hóspedes nos hotéis. As grandes estadas são agora city breaks de fins de semana. Os hotéis foram substituídos por aluguer de casas privadas através de aplicações na internet, das quais a Airbnb é a mais conhecida.

E as viagens caras e cheias de mordomias, por viagens em companhias que cobram pela bagagem de porão. Tudo isto levou as pequenas malinhas com rodas para a rua. E elas, que foram inventadas por um americano, há cinquenta anos, quando os aeroportos se tornaram lugares mais complexos e com corredores mais longos, infernizam agora os habitantes dos centros históricos das grandes cidades, sobretudo as europeias.

Em Lisboa, sobre a calçada portuguesa, estas malas conseguem tocar um autêntico concerto de percussão. Mas em todas as cidades há queixas, sobretudo nas zonas residenciais tomadas pelos alojamentos de curta duração.

Mais uma acha para a discussão sobre a democratização do turismo e a generalização do low cost? Sim, e também potencial de negócio: a criação de malas com rodinhas que não façam barulho. Fica o repto. Até porque as cidades europeias – e sobretudo Lisboa – preferem turistas barulhentos a ficar outra vez sem eles. Como Veneza, que recuou na decisão de as proibir.

Catarina Carvalho, diretora
catarina.carvalho@globalmediagroup.pt

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