Dakar: A capital do Senegal é uma surpresa em África

Visitar a capital do Senegal é uma experiência a considerar. Dakar faz parte do imaginário dos ralis, mas é muito mais do que isso. É uma cidade de encontros: entre católicos e muçulmanos, africanos e europeus. Em tranquilidade.

Dakar: A capital do Senegal é uma surpresa em África
Texto de Isabel Conceição - Fotografias ShutterStock.com 20 Oct 2016

Está a pensar visitar Dakar? Então precisa de saber isto: o trânsito é caótico; a maioria dos edifícios, especialmente aqueles fora das principais avenidas e do centro urbano, parecem estar em ruínas; a pobreza é generalizada; uma garrafa de vinho banal pode custar mais de 40 euros num restaurante; e o calor pode ser sufocante. Nada disto o demoveu e continua a pensar visitar a capital do Senegal? Ótimo. Então está preparado para uma viagem até África e não se vai arrepender. A mais ocidental das cidades africanas é uma capital vibrante e segura, casa não só para mais de três milhões de senegaleses, mas também para dezenas de milhares de expatriados ocidentais – divididos entre as agências da Organização das Nações Unidas, embaixadas, empresas multinacionais e instituições financeiras – que nela vivem como se estivessem na Europa ou nos Estados Unidos e, graças aos seus salários muito acima da média nacional, usufruem de uma larga oferta de restaurantes, bares e esplanadas.

O país é maioritariamente muçulmano, os seus elementos são extremamente tolerantes e um ocidental mal nota a diferença. O consumo de álcool e tabaco é feito às claras, existem igrejas católicas e os homens muçulmanos casam com mulheres cristãs. Obviamente que há diferenças: é vulgar encontrar fiéis islâmicos a lavarem-se nas ruas ou nas casas de banho antes das orações diárias – que também podem ser feitas na rua –, existem mesquitas em todos os bairros e em todas as aldeias em redor. Para as visitar poderá optar pelos tradicionais autocarros coloridos ou embarcar num táxi (não há taxímetros, tem de combinar – e regatear – o preço antes de entrar no veículo).

Restaurantes, bares, um lago mítico, a maior estátua do continente africano, todo-o-terreno e hotéis à beira do mar. Todo o Senegal está representado na sua capital, com os seus extremos bem vincados: do luxo à pobreza, da tensão à harmonia social.

A falta de infraestruturas e o mau estado de algumas estradas leva ao caos no trânsito. Mas há um lado bom da moeda: se tem prazer em passar traços contínuos ou sinais vermelhos, Dakar é o local certo para si. As regras de trânsito parecem ter sido feitas para ser quebradas. Por outro lado, se for apanhado a conduzir sem carta vai preso. O estado de grande parte dos edifícios deve-se ao facto de a cidade estar ainda em construção e a maior parte das empresas só avançar com as obras quando têm dinheiro disponível. Já o preço do vinho também tem uma boa explicação: a importação de bebidas alcoólicas paga 100% de impostos. Um bom motivo para optar antes por uma cerveja local, que parece um refresco, e tentar enganar por alguns minutos o calor sufocante. Afinal, estará em África. Aproveite.

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