Uma cidade francesa surpreendente e longe de multidões

No topo de França, colada à Bélgica, a região Nord-Pas de Calais tem uma identidade especial. Lille é a principal embaixadora e está acompanhada por Roubaix, Arras e Lens. Boa comida, bom vinho e muito património.

Uma cidade francesa surpreendente e longe de multidões
Texto de Teresa Frederico - Fotografias ShutterStock.com 22 Oct 2016

Não será fácil dar-se a conhecer ao mundo tendo Paris a uma hora de distância e Bruxelas a uns 35 minutos. Apesar disso, Lille soube afirmar-se e transformou-se num atrativo destino por mérito próprio, apontado como um dos lugares a descobrir em 2016.

Em tempos uma ilha definida pelo rio Deûle (e daí o seu nome, L’île), viveu um passado conturbado, envolvendo múltiplos domínios, do Condado da Flandres a Espanha, até se tornar francesa, em 1713. Importante polo industrial no século XIX, com a metalurgia e fábricas têxteis a sofrerem um devastador declínio nos anos 1970, reassumiu a vocação mercantil da Idade Média. Depois cresceu com obras de grandes arquitetos, como Rem Koolhaas e Jean Nouvel, autores de edifícios da Euralille (1), nova área da cidade inaugurada em 1994 em torno da estação do TGV, mas é o centro histórico, Vieux Lille, repleto de lojas e restaurantes charmosos, que conquista logo ao primeiro olhar.

Novos voos diretos a partir de Lisboa convidam a uma escapadinha centrada em Lille, mas há muito mais para descobrir na região, de museus a estaminés, passando pela boa vida.

Terceira cidade universitária do país e, portanto, bastante animada à noite, sobretudo na Rue de La Soif (2) (ou Rua da Sede, oficialmente Rue Solferino), Lille distingue-se pela oferta cultural, comprovada desde a atribuição, em 2004, do título de Capital Europeia da Cultura e que se prolonga até hoje através da iniciativa Lille 3000. É também a cultura o principal motivo para descobrir a vizinhança: Roubaix, em tempos capital mundial do têxtil e agora mais famosa por La Piscine, Musée d’Art et d’Industrie André Diligent; Lens, antiga cidade mineira que acolhe o segundo Museu do Louvre; e Arras, cidade charmosa, com Património UNESCO e uma «delegação» do Château de Versailles. Todas ficam a curta distância e são facilmente visitáveis recorrendo a transportes públicos.

Entre visitas, conhecer mais sobre Nord-Pas de Calais e tagarelar sobre a inevitável influência belga sabe melhor à mesa de um estaminet (estaminé ou tasca), degustando pratos típicos acompanhados por uma cerveja Ch’ti, que rouba o nome aos naturais da região e respetivo dialeto. Para finalizar, o pain d’chien (ou pão do cão…) tornará ainda mais doce esta escapadinha apetitosa.

Veja também:

Estas ilhas na Europa são um sonho de viagem

Este é o truque para poupar no bilhete de avião

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.