Sentinela do Norte

As águas cor de safira são enganadoras. Pode parecer o paraíso, e até é, no sentido bíblico: os habitantes andam nus e vivem alheios ao mundo, escondidos na floresta cerrada.

Mas aqui o mar está sempre revolto e uma armadura de recifes dificulta a aproximação. Uma metafórica fortaleza, para manter à distância o mundo civilizado e guardar um tesouro inestimável: Sentinela do Norte é habitada por um povo indígena que, crê-se, migrou de África há 60 mil anos e mantém um estilo de vida pré-neolítico. Será, talvez, o povo mais isolado do planeta, uma das derradeiras comunidades ancestrais vivas e incorruptas.

Desconhece-se que língua falam, quantos são ou qual é para eles o sentido da vida. E o pouco que se sabe (que são exímios atiradores, por exemplo) resulta de encontros fugazes com o exterior que acabaram em chuva de flechas – um claro letreiro de «deixem-nos em paz», mesmo para maus-entendedores.

A ilha, parte do território indiano de Andamão, é de acesso interdito. Porém, em 2015, um artigo da Forbes referia o projeto de criar «safaris humanos» em barco couraçado. Os sentineleses podem ter sobrevivido à passagem dos séculos, até ao tsunami de 2004, mas não resistirão a uma invasão turística. Há tesouros que estão melhor longe dos olhos do mundo.

Sentinela do Norte, Índia
11° 33’ 01” N
92° 13’ 60” E

Texto de João Mestre – Fotografias Direitos Reservados

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