Nina Ragusa, uma blogger que viaja pelo mundo há cinco anos, conseguiu poupar 17 mil dólares (16 mil euros) enquanto viveu na Austrália, país onde o custo de vida é um dos mais altos do mundo.

No início de 2016, Nina estabeleceu um objetivo para aquele ano: poupar pelo menos 15 mil dólares para as viagens seguintes. E conseguiu.

Ragusa, autora do blogue «Where in the World is Nina?», optou por viver um ano na Austrália com um visto de trabalho e férias («work and holiday visa»), exclusivamente para poupar dinheiro.

Para o conseguir, Nina estabeleceu duas regras para o seu dia-a-dia:

– Trabalhar o máximo que conseguisse;

– Não gastar mais do que o necessário.

Nina optou por usar o tempo apenas para trabalhar, já que poderia regressar ao país mais tarde para o visitar e explorar.

Durante aproximadamente um ano, a blogger e o namorado viveram em duas cidades diferentes: Melbourne, onde Nina trabalhou como empregada de mesa, e Darwin, onde encontrou trabalho numa loja de surf e serviu bebidas num bar. O casal mudou-se para Darwin por ter um clima melhor e por haver empregos mais bem pagos.

Para conseguir atingir o seu objetivo final, a viajante trabalhou entre 50 a 70 horas semanais. Normalmente, recebia entre 18 e 33 euros por hora, sendo que, se trabalhasse aos feriados, poderia chegar até aos 48 euros / hora. Garrett, o namorado, conseguiu poupar quase o dobro, uma vez que tinha um trabalho mais bem pago.

Mas como puderam, afinal, poupar tanto dinheiro em tão pouco tempo, vivendo num dos países mais caros do mundo?

O orçamento para cada mês não deveria ultrapassar os 710 dólares por pessoa, o que se traduzia em 38 euros em comida e 123 euros na renda da casa, por semana. Nina e Garrett conseguiam gastar entre 1,75 e 3,50 euros por pessoa em cada refeição.

A blogger ganhou o hábito de ir aos mercados locais, onde conseguia sempre os melhores preços e as melhores ofertas: «Sei que a Woolworth’s and Cole’s põe muitas vezes o pão em promoção depois das 19 ou 20 horas, e procuro sempre sinais de promoções», escreveu no blog. Comer fora, por exemplo, estava fora de questão. Os dois nunca entraram num restaurante durante aqueles 10 meses, mas havia algo que tinha de estar sempre no frigorífico: cerveja.

Apesar de gostarem de ficar em casa e sonhar com todos os lugares onde poderiam ir com o dinheiro poupado, Nina Ragusa admite que foi difícil: «Ir para o trabalho não é assim tão complicado, não gastar e conseguir poupar é o que mais custa. Queres um vestido novo? O último jogo de X-Box? O novo Iphone? Pois, também eu, mas não compro nada disso porque poupar para coisas que realmente importam significa mais para mim».

A sua maior missão ao viver este estilo de vida era «mostrar às outras pessoas que trabalhar fora é possível, fazer dinheiro pode acontecer, e que não é preciso ser-se rico para começar, é possível viver com menos para conseguir mais da vida depois», escreveu no blog.

Nina, que acabou por ultrapassar os 15 mil dólares em poupanças, já viajou, em 2017, até Nova Iorque, Copenhaga, Budapeste, China e Coreia do Sul. Planeadas estão já as viagens para a Islândia, Vietname, Maldivas e muito mais.

Será que o esforço compensou?

(O câmbio de dólares para euros foi feito no dia 3 de março de 2017).

Por Mafalda Magrini – Fotografias Direitos Reservados


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