Turim

Cinema, gastronomia, comércio, história, religião, desporto e diversão noturna. Há poucos destinos no mundo com tantos motivos de interesse e com este nível de qualidade. Conhecer Turim é descobrir uma cidade de paixões.

A imagem estereotipada de um povo que fala alto e gesticula em demasia não faz sentido nestas paragens. Esta é a Itália do Norte, mais europeia central e menos latina no sentido caloroso do termo. Não que se sinta antipatia no dia-a-dia, nada disso. É apenas uma cidade mais tranquila e mais silenciosa do que as do Sul do país. O silêncio de que se fala sente-se com grande determinação na Catedral de Turim.

A Via Roma e a Via Giuseppe Garibaldi são duas das mais consumistas artérias de Turim. A primeira, paraíso das grandes marcas internacionais, a segunda repleta de cafés, geladarias, lojas de pronto-a-vestir, de recordações ou de decoração. Milão, uma das capitais internacionais da moda, não fica assim tão longe (cerca de oitenta quilómetros) e isso sente-se na oferta comercial e nos «modelitos» de homens e mulheres que percorrem as ruas.

 

Visitar

Consegue-se facilmente ficar a conhecer os principais monumentos de Turim, principalmente os que se encontram na Piazza Castello. É daqui que se acede, por exemplo, ao Palácio Real, onde as salas do trono e os jardins merecem uma visita. E do outro lado da praça, a «vingança» de Mussolini contra a cidade de Turim – a Torre Littorio. A estrutura ultrapassa os cem metros de altura (109 com a antena), é o edifício mais alto da cidade e contrasta com a beleza e o enquadramento dos monumentos da Piazza Castello.

Da Catedral de Turim bastam poucas centenas de metros para encontrar o Mercado de Porta Palazzo, o mais movimentado e multicultural espaço de compra e venda ao ar livre da cidade. Ao fim de semana, são milhares os clientes em busca de fruta e legumes frescos, roupa ou acessórios eletrónicos, entre muitos outros itens. É aqui que também se pode tirar um retrato fiel à população desta cidade de quase um milhão de habitantes, dois milhões quando se alarga a visão a toda a área metropolitana.

Palazzo Madama: o complexo arquitetónico fica em plena Piazza Castello. Além de Património da Humanidade pela UNESCO, é aqui que funciona o Museu Civico d’Arte Antica de Turim. São dois mil anos da história do Piemonte que podem aí ser conhecidos através de 3800 obras em exposição, de um total de setenta mil do seu acervo.

A não perder também é o Museu Egípcio (museugizio.it; Via Accademia delle Scienze), fundado em 1824 graças a um conjunto de mais de 5200 peças trazidas por Bernardino Drovetti, cônsul de França no Egipto no tempo de Napoleão Bonaparte. É o segundo maior espaço dedicado à egiptologia em todo o mundo, só ultrapassado pelo Museu do Cairo.

Também não pode deixar de se visitar o Museu Nacional do Cinema (museucinema.it), na Via Montebello. O elevador panorâmico, na área central do museu, permite a cada visitante subir até aos 85 metros e apreciar a grandiosidade da cidade, os seus telhados e os sempre presentes Alpes.

Há tempo ainda para incluir um espaço surpreendente, o Museu Nacional do Automóvel (museuauto.it; Corso Unità d’Italia) para quem tiver uma paixão pelo mundo automóvel não vai querer sair do museu.

 

Futebol

A Juventus, campeã de Itália em título, é homenageada pelas muitas bandeiras brancas e pretas que se vislumbram penduradas nas janelas. Mas nisto do futebol tem de existir sempre um rival na própria cidade. E a concorrência vê-se nas bancas de rua ou nas lojas de desporto com os equipamentos vermelho-seco do Torino a marcarem pontos.

O Toro ou Il Grande Torino – como é conhecida a equipa – tem um historial de grande apoio popular e reconhecimento internacional. Em grande parte também pelo facto de a quase totalidade da sua mais mítica equipa (a da década de 1940) ter desaparecido de forma abrupta a 4 de maio de 1949 na sequência de um acidente de aviação quando se aproximava da colina de Superga, nos arredores da cidade. A equipa, na altura pentacampeã nacional, voava desde Lisboa, onde tinha disputado um jogo amigável com o Benfica.

 

Dicas

A moeda oficial é o euro. Existem bancos e caixas ATM em grande número no centro da cidade e os preços estão equiparados com a realidade portuguesa. A exceção são as esplanadas nas praças principais onde um café chega facilmente aos 2,50 euros e um refrigerante fica pelos quatro euros.

 

Comer e beber

Caffè Mulassano
É um dos mais antigos cafés da cidade e merece uma visita pelo seu peso histórico. O expresso (dois euros) é uma instituição, tal como o ambiente requintado. Aproveite também para descobrir os cocktails da casa enquanto se entrega ao prazer do ócio na esplanada sob as arcadas de uma das praças mais movimentadas de Turim.
Piazza Castello, 15
Tel.: (+39) 011 547990
caffemulassano.com

Ristorante All’Opera
No centro da cidade são muitas as opções para bem comer. Neste caso, trata-se de um restaurante com esplanada e um serviço eficaz que assenta a sua ementa nos pratos tradicionais como massas, pizas, carne e peixe com preços a rondar os 20 euros por pessoa, com bebida. Destaque para o tártaro de peixe ou para a combinação de pasta e marisco.
Via Carlo Alberto, 5
Tel.: +39 011 883500
ristoranteallopera.it

Eataly Torino Lingotto
Fica a dez minutos a pé do Museu Nacional do Automóvel. É mais do que um supermercado biológico, mais do que uma loja de vinhos, queijos e enchidos, mais do que uma catedral de cervejas, mais do que restaurante de produtos tradicionais. É tudo isso e não só, é o paraíso na Terra para quem gosta de comer bem. A aposta é exclusivamente em produtos italianos e a receita de sucesso já se estendeu a Roma, Bolonha, Tóquio ou Nova Iorque, por exemplo.
Via Nizza 230/14
Tel.: (+39) 011 19506801

 

Sair à noite

É uma cidade de gente nova, que gosta de se divertir. E as noites de sexta e sábado são para serem levadas a sério. Centenas de pessoas rumam em direção à Piazza Vittorio Veneto, enchendo as arcadas de gente, de ruído, de fumo e de garrafas consumidas. Os trajes são cuidados, com pouco tecido e muita pele. Enchem-se esplanadas, pequenos bares, cafés e restaurantes.

Na enorme praça todos os caminhos vão dar ao rio. É aí que se concentra a multidão, dentro e fora de dezenas de bares com os mais variados estilos de música e tipos de gente. Alguns casos, os bares exigem cartão de sócio para entrar. Os estabelecimentos juntam-se numa associação cultural e apenas os membros podem usufruir do espaço a preços acessíveis. Música ao vivo ou DJ são as opções dos dois lados do rio.

 

Transportes

É uma cidade para ser descoberta a pé ou de bicicleta, dependendo da sua orientação, e será fácil identificar os principais pontos de referência. O autocarro é uma boa opção, sendo que o carro apenas se justifica se quiser conhecer a região do Piemonte. O metro tem apenas uma linha, mas existem oito de elétricos (comune.torino.it//gtt). O aeroporto fica a vinte minutos do centro e a ligação pode ser feita de comboio, autocarro e táxi (30 euros).

 

Estádio

Textos de Ricardo Santos – Fotografias de Leonardo Negrão/Global Imagens

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