A hora é esta

Com o fim do comunismo, a Albânia emergiu de um profundo isolamento. Neste longo mas decidido momento de adaptação abre-se ao mundo, revelando desde pequenas e lindas cidades históricas do interior a praias despovoadas banhadas pelas águas cristalinas e quentes dos mares Adriático e Jónico.

Texto de Petra Alves / Fotografia de Constantino Leite

Procuramos destinos por explorar. Procuramos vivências únicas, enquadradas em cenários que, até então, pertenciam ao imaginário. Esta procura alimenta a alma do viajante; é a força que o conduz a lugares virgens, porque aí mora o inesperado e aí, de alguma forma, encontra mais uma parte de si próprio. Ainda assim, há pouco mais que uma década, pensar visitar a «virgem» Albânia começava e acabava aí mesmo: na ação de pensar. Foi-lhe difícil conquistar a maioridade, enquanto sinónimo de independência; a luta prolongou-se durante séculos e o penoso rescaldo, durante longos anos. A instabilidade política e social deste país dos Balcãs – com uma economia mutilada e crescimento hipotecado a destoarem na Europa desenvolvida – não deixava que a Albânia figurasse na lista dos must visit. À exceção dos mais destemidos, poucos seriam os que se aventuravam por esta beleza montanhosa, distante de olhares ocidentais… mas isso era noutros tempos!

O país tenta, ainda que com dificuldade, erguer-se, desde a década de 1990, com base na democracia. Apesar de pobre – ou talvez por isso mesmo –, guarda lugares intocados que ainda não despertaram o interesse do turismo de massas.

E se em Tirana – sobretudo no bairro de Blloku, povoado por lojas, cafés, restaurantes e bares – se identifica a proximidade a uma qualquer famosa capital europeia, em Gjirokastra e Berat, ambas pequenas cidades montanhosas do interior sul, conhece-se a genuinidade de uma Albânia que mantém a arquitetura otomana a desafiar a inclinação das encostas. Vai ao engano quem aqui procura a agitação da cidade grande. Não há. São duas «caixinhas» de história e pacatez construídas em pedra e vestidas a branco. Ainda a sul, a zona costeira, banhada pelo Jónico, convida a repetidos mergulhos em praias desertas mas também a festas que transformam o areal em pista de dança!

Em comum, Tirana, Gjirokastra, Berat e as vilas junto ao mar têm um povo que recebe como quem partilha e tem vontade de saber o que, de novo, a nova pessoa traz.

A Tirana com «sangue na guelra»

A era cinzenta da capital da Albânia faz parte do passado. Edifícios coloridos, pessoas bem-dispostas, muita gente por toda a parte num vaivém quase frenético, que apenas conhece pausa nas muitas esplanadas e parques da cidade, onde, curiosamente, o número de mulheres é bem mais expressivo do que o de homens. Em pequenos grupos, sozinhos, com crianças, os habitantes de Tirana aproveitam as zonas verdes, algumas equipadas com cafés e esplanadas, para descontrair e, provavelmente, para fazer um intervalo da poluição: é intenso e ruidoso o tráfego da capital.

À semelhança de Gjirokastra e Berat, também aqui é fácil interagir, «meter conversa», ser-se convidado para participar na vida da cidade, ainda que a comunicação possa, por vezes, ser uma barreira… mas este é um país habituado a ultrapassar obstáculos! Consequência da sua história, das várias alianças e ocupações, relações políticas e comerciais (Turquia, União Soviética, Itália, Grécia…), identifica-se a influência de outras culturas em várias dimensões da vida albanesa, sendo a língua uma das mais evidentes. É comum, além do albanês, os mais velhos falarem russo e grego; e os mais novos, também italiano. O inglês, ainda que pouco falado, começa a ganhar maior expressão sobretudo entre as camadas mais jovens, cujo ponto de encontro é, simultaneamente, o maior palco de diversidade de Tirana: Bolluk (Block). Nesta zona, a mais trendy da cidade, viveu, no tempo da ditadura comunista, Enver Hoxha (que governou o país durante cerca de quatro décadas); à época, a área estava reservada a funcionários do governo. Devolvida ao povo, hoje testemunha a verdadeira «cultura de café». Tem uma vida pulsante não só pelas esplanadas sempre cheias, lojas, restaurantes e bares, como pela veia mais alternativa. Num dos bares, um rapaz no início dos 30, Eugent Bushpepa – talvez estimulado pela câmara fotográfica –, toma a iniciativa de convidar para um concerto que ali iria acontecer, mais à noitinha. Canta covers de bandas internacionais conhecidas, enquanto o bar se enche de locals que se agrupam junto a mesas altas onde dançam e tentam acompanhar o vocalista.

Depois de tantos anos de isolamento – quando a música estrangeira era especialmente non grata –, a Albânia abre-se a novos sons e à moda ocidental, que, de resto, desfila em Bolluk. Conserva, no entanto, a memória do país em vários monumentos de interesse: a principal praça da capital agrega uns quantos. Sheshi Skënderbej é extensa – diz-se que será fechada ao trânsito, o que por certo vai facilitar a vida dos transeuntes! – e conta com vários pontos admiráveis. Entre eles está o Museu de História Nacional: se os mosaicos da fachada descrevem um pouco da história do país, o interior revela pormenores sobre as conquistas, os avanços e os recuos em busca da independência; a mesquita Et’Hem Bey, com frescos no exterior, é espelho da formação religiosa e cultural de parte da população albanesa (é permitida a entrada devidamente «descalça»); e a estátua de Skënderbej, herói nacional pela resistência ao império otomano, que empresta o nome à praça.

Tirana é um centro de contrastes: entre memórias vivas da ocupação otomana e do comunismo, descobre-se uma cidade que tem vontade de «renascer». É uma adolescente cosmopolita, colorida e vibrante.

Berat: «O sonho de qualquer Albanês é ser o próximo Al Capone»

O autor da frase é um jovem DJ, natural de Berat, atualmente a viver em Itália. Talvez este dado justifique a afirmação proferida numa esplanada soalheira da cidade.
A contrariar a opinião pessoal do DJ, o estilo de vida de Berat pode ser comparado com o de uma pequena cidade alentejana. O tempo passeia, não corre! Aliás, numa certa zona, tem-se a impressão de que está mesmo parado: é onde, encostadas à montanha, todas as casas têm os «olhos» postos no rio, lá em baixo, que separa a urbe a meio. Por entre as ruas o sossego impera e a ausência de pessoas também, ainda que não seja raro encontrar senhoras a vender mel à porta das suas casas. Descendo a encosta, deixa-se para trás o silêncio para descobrir o spot onde tudo acontece. A rua principal reúne grande parte do comércio local, bem como cafés, esplanadas, restaurantes. A partir daqui, tem-se acesso à ponte pedonal sobre o rio Osum. Gorica, Mangalemi e Kala (onde se situa o castelo) são as três principais áreas da cidade; as duas últimas merecem a pontuação mais elevada por serem capazes de oferecer as melhores memórias.

É bom de apreciar a dinâmica de Berat que inclui, por vezes, residentes a pescar no rio; Byrektore, vendedores de rua, a oferecer burek, feito de massa fina, tipo filo, recheada com queijo, espinafres, ovos…; lojinhas de fruta e legumes de produção local; brincadeiras de miúdos em família e namoricos adolescentes a cruzarem a ponte, em passeios de fim de tarde. Haja fôlego, musculatura nas pernas e sapatos confortáveis para continuar a descobrir Berat. É chamada a «Cidade das Mil Janelas» mas também «A Cidade dos Mil Degraus», e ambas as descrições são acertadas. Os que tentam chegar ao castelo a pé rapidamente o percebem. Ainda assim, é visita obrigatória, pelas igrejas – que resistiram ao passar do tempo –, pelas casas com gente dentro, por algum comércio e pela vista arrebatadora: colina abaixo, as «mil janelas», em frente, no horizonte, a volumosa montanha Shpirag.

À semelhança de Gjirokastra, também Berat mereceu o reconhecimento da UNESCO.

Praias: a sul está a virtude

Água azul-turquesa a 25ºC, céu limpo e sol generoso. A este cenário acresce um importante fator: pouca gente, mesmo no pico do verão! A costa albanesa, apesar de reunir as condições ideais para receber turistas à procura de um lugar ao sol, é ainda pouco explorada, sobretudo a partir da cidade de Vlorë – onde o Adriático termina e começa o Jónico – em direção a sul. Encontram-se várias praias isoladas e despovoadas, mas há uma explicação: o estado e o traçado da estrada nacional costeira SH8, que liga Vlorë a Sarandë, não é propriamente convidativo, assim como as vias secundárias, tendo em conta a topografia montanhosa da região; é o preço a pagar para que se mantenham à distância os empreendimentos turísticos de grande escala que, por norma, são sinónimo de «mar de gente». Quem privilegia o conforto do caminho ao conforto do destino pode sempre ficar num dos resorts da cidade de Durrës, a norte, banhada pelo Adriático, onde facilmente se chega por autoestrada, a partir de Tirana.

Toda esta linha de costa que se desenvolve a sul concentra uma série de praias apetecíveis, algumas ainda por «batizar», outras mais povoadas.

Um bom ponto de partida para explorar esta costa sul pouco invadida – ainda – é o Parque Nacional de Llogara, onde, sobre a íngreme encosta, se descobre uma paisagem arrebatadora: o Adriático encontra o Jónico, a montanha encontra os mares, e quem leva no imaginário a ideia de praias paradisíacas encontra o sonho tornado realidade… à exceção, eventualmente, daquela parte em que a areia é branca e fina. Percebe-se também que nem sempre será fácil descer até ao mar e ficará feliz por estar a ser transportado de jipe. Aliás, não é raro encontrar, na estrada, condutores pacientes a colocar água no radiador do carro…

Toda esta linha de costa que se desenvolve a sul concentra uma série de praias apetecíveis, algumas ainda por «batizar», outras mais povoadas. Por onde começar? Pelo início: Dhërmi. Na praia principal, junto à vila, acumulam-se bares e veraneantes que procuram festa! À beira-mar, os bares enchem-se de bebidas frescas e o areal transforma-se em pista de dança, ao entardecer, uma espécie de Ibiza dos Balcãs! Já em Drymades – além de ambiente de festa, mas ainda assim num registo mais tranquilo do que o da vizinha Dhërmi – estendem-se praias isoladas, entre rochas, para deitar o corpo e deixá-lo entregue ao som do Jónico. Aliás, a topografia que aqui se reconhece é habitual nesta linha costeira embelezada por enseadas rochosas e grutas – algumas das quais habitadas em tempos pré-históricos – e escarpas que parecem desenhadas à mão, em traço livre, a partir do areal em direção ao céu.

Continuando para sul, a pouco mais de meia hora, de carro, a pequena cidade de Himarë serve apenas como ponto de referência. A praia central está abafada pela vida citadina, argumento que convence a procurar uma outra sugerida pelos locais; dá pelo nome de Llamani. Dois restaurantes convidam a almoçar peixe fresco, os bares e o ambiente, a permanecer entre copo na mão e mergulhos… Está calor, está-se bem! Mais velhos e mais novos misturam-se em jogos de vólei e em animadas conversas, que rapidamente se estendem aos forasteiros. Porque se orgulham do seu país, querem mostrá-lo a quem chega, fazendo as vezes de Lonely Planet. Espalha-se a notícia de que no castelo em Porto Palermo, a poucos quilómetros de Himarë, decorre um festival de artes com exposição de fotografia e instalações vídeo; sabe-se ainda que, à noite, uma banda vai tocar! Mais tarde, ao vivo e a cores, descobre-se que a música é experimental, de improviso, e os instrumentos são feitos pelos artistas da banda. Hoje com 30 e pouco anos, lembram a época em que aprenderam a construí-los por falta de alternativa: por um lado, não sobejava dinheiro para despender em bens que não fossem de primeiríssima necessidade; por outro, também não havia muitos instrumentos já prontos a tocar, para compra. Ainda que não esteja prevista animação, o castelo é uma referência naquela região; está, diz-se, sobre as ruínas de um outro mais antigo e é conhecido por Castelo de Ali Pashë, governante do período otomano que o terá encomendado em homenagem à sua mulher, apesar de alguns afirmarem que a construção do dito é anterior a essa época…

Todos os viajantes terão episódios curiosos, cenas caricatas para contar… Os que visitem a praia de Qeparo, vila perto de Porto Palermo, para sul, certamente não se vão esquecer das ovelhas. Sim, das ovelhas na praia. Não é uma, não são duas, são rebanhos grandes, liderados por pastores que incluíram a praia de Qeparo no itinerário.
A páginas tantas, quem está a banhos decide colocar o chapéu sob pena de o sol provocar alucinações… Há ovelhas com sorte. Uma vez em Qeparo há que subir à parte antiga da vila, com o seu pequeno aglomerado de casas de pedra. Não que se vá assistir a algum episódio tão interessante como o das ovelhas na praia, mas, no topo da montanha, a vista sobre o mar é assinalável.

A estrada nacional que liga as dezenas de praias desde Vlorë segue até Sarandë. Nesta zona, e porque está já saciada a fome de sol e de mar, é imperativo um passeio ao «Olho Azul». Abraçada pelo verde da vegetação, surge esta nascente – que alimenta o rio Bistrica – a vários tons: ao centro, a pupila de azul-escuro; em torno, a íris de azul transparente. Este era um dos hot spots reservados à elite comunista, na época ditatorial. A natureza mantém-no frio (a temperatura da água ronda os 10ºC) e do lado esquerdo da estrada que liga Sarandë e Gjirokastra; já a «nova» Albânia permite que todos o visitem. Em caso de dúvida, o «Olho Azul» é conhecido por Syri i Kalter.

A poesia de Gjirokastra, cidade-mãe de um ditador

Ismail Kadaré (1936) é referência na literatura mundial contemporânea. Nasceu em Gjirokastra e reprova o totalitarismo: «Não se pode amar ao mesmo tempo Macbeth e a direção do comité central de Estaline», defende.

A mesma cidade viu também nascer Enver Hoxha (1908-1985), líder comunista que governou o país durante cerca de quarenta anos, após a Segunda Guerra Mundial. O espírito de duas das personagens mais emblemáticas da Albânia reside nesta pequena cidade de pedra, considerada pela UNESCO como «cidade-museu». A parte antiga, e mais interessante, empoleira-se na colina em direção ao vale Drino; alinham-se centenas de casas pequenas, de estilo otomano, com telhados de pedra, lembrando as marcas da ocupação do império otomano. Um dos lugares imperdíveis é o centro histórico, que se estende ao longo de cinco ruas principais, também elas de pedra. Oficinas de artesanato, lojas e restaurantes concentram-se nesta zona cheia de vida, sobretudo durante a primavera e o verão. É óbvio o domínio da pedra e da madeira, materiais de eleição que ergueram uma cidade que, diz Kadare, «não se parece com coisa nenhuma». Nesta descrição não moram conotações negativas. Simplesmente, a cidade rejeita qualquer comparação: «Tem muitas coisas bizarras e outras que parecem pertencer a um sonho!» Guarda, na sua essência, duas forças antagónicas, a liberdade e o totalitarismo! Em Gjirokastra encontra-se o segundo maior castelo dos Balcãs. Construído no século xiii, passou por várias fases e usos dependendo do poder dominante. Daqui, tem-se a melhor vista da cidade e aqui, onde outrora funcionou uma prisão (século XX), têm lugar, hoje, festivais de música durante o verão. Ainda no registo história – e poder-se-á sair dele, em Gjirokastra? – há que fazer uma visita à casa onde nasceu Hoxha e foi posteriormente instalado o Museu Etnográfico com uma interessante coleção de trajes, mobiliários, têxteis e trabalhos de madeira.

É pacata a cidade e todos parecem conhecer-se, trocando conversas rápidas pelas ruas. Há inclusive uma espécie de «léxico» próprio entre condutores e comerciantes: ao passar pelo café, a buzina, em jeito de përshëndetje (olá), toca de uma forma; ao passar pela loja ou barbearia já toca de outra. Uma sinfonia a que rapidamente o ouvido se habitua!

Em O General do Exército Morto, uma das obras de Kadaré, a personagem diz: «Podemos escavar com facilidade o seu solo, mas penetrar a sua alma, isso jamais.» Refere-se ao povo albanês. De facto, não se penetra a sua alma como quem escava. A simpatia é retribuída com simpatia; um aperto de mão, sentido, sela uma conversa com alguém que provavelmente não irá voltar a ver-se, mas que ficará guardada no álbum de uma viagem memorável. Neste álbum fica a família albanesa que espontaneamente se deu a conhecer quando reconheceu a língua portuguesa. Emigraram para Portugal, em finais dos anos 1990, na tentativa de levar uma vida mais dócil. Lembram que, naquela década, a Albânia passou do regime comunista para um indisciplinado mercado livre, muitos foram obrigados a deixar os campos e rumaram em direção à capital, aumentava o contrabando, o desemprego e chegavam milhares de refugiados do vizinho Kosovo. Profundamente agradecidos ao país que os acolheu, Portugal, garantem que, no mundo, não há quem receba melhor, e muito embora o idioma não facilitasse a comunicação, sentiram-se acolhidos. Estão agora de regresso à cidade natal, Gjirokastra, e a uma Albânia democrática mais estabilizada. Como forma de materializar o genuíno «obrigado», fizeram questão em oferecer uma estada no melhor hotel da cidade ao nosso fotógrafo, que fazia anos naquele dia. Ora, durante os devidos festejos, entra em cena o americano Christopher Hassler, na casa dos 30, que foi para a Albânia há seis anos numa missão humanitária. Queria mudar de vida. Regressou aos EUA, mas logo se apercebeu de que tinha de voltar, escolhendo Gjirokastra para viver e talvez abrir um pequeno hotel. Eventualmente de pedra e madeira, como grande parte das construções da cidade velha, onde de resto se conhece o trabalho de artesãos que labutam na «montra» das suas oficinas à vista de todos. Restam cerca de cinco, mas tempos houve em que a cidade concentrava um largo número de profissionais desta área, responsáveis pela criação e manutenção das casas originais. Pela altura em que o comunismo deixava a Albânia, muitos foram apanhados pelas consequências da transição política e, dando resposta à falta de trabalho, emigraram (sobretudo para a Grécia). O senhor Anastas Petridhi é um dos artesãos que trabalham em madeira, dando-lhe, entre outras formas, a de molduras, porta-chaves, acessórios… É de poucas palavras, ou pelo menos de poucas palavras inglesas, mas para apreciar o seu trabalho não é necessária a comunicação oral!

Reportagem publicada na edição 222 da revista Volta ao Mundo, em abril de 2013.

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