Tesouros dos países vistos pelos embaixadores. Keitumetse Matthews tem 64 anos e é embaixadora de África do Sul em Portugal desde 2011.

Mala Diplomática

Keitumetse Matthews

«O Kruger Park é um local lindo para se apreciar a natureza. Para quem é crente, é também a prova da maravilha da Criação », diz Keitumetse Matthews. A embaixadora da África do Sul em Lisboa confessa-se apaixonada pelo imenso parque natural, «maior do que alguns países» e que agora se estende além-fronteiras, com os acordos com Moçambique (parque do Limpopo) e Zimbabwe (Gonarezhou), duas outras nações da África austral com fauna e flora abundantes. Filha e neta de opositores ao regime racista do apartheid, a diplomata viveu muitos anos no estrangeiro com a família, tendo crescido em Inglaterra. Depois da libertação de Nelson Mandela, o pai, Joe Mathews, esteve envolvido no processo de construção de uma nova África do Sul plurirracial e acabou por ser vice-ministro entre 1994 e 2004.

A experiência de ter sido uma exilada aproximou ainda mais Keitumetse Matthews das riquezas do país, que teve de redescobrir. «Quando fui a Malelane, uma das portas de entrada no Kruger Park, tive uma experiência fabulosa. Se estamos stressados ou cansados, tudo passa. Ao final da tarde, ou muito cedo, quando é possível ver os animais no cenário natural, é fantástico. É um verdadeiro tónico para o cérebro», conta a embaixadora. Viu «elefantes, uma família, todos em linha, também gazelas e rinocerontes, talvez uns leões ao longe».

Gestora de uma empresa de telecomunicações antes de ser convidada a representar a África do Sul em Portugal, em 2011, Keitumetse Matthews lembra que o Kruge é também um paraíso para os amantes da arqueologia, com «muitos vestígios pré-históricos e pinturas rupestres».

«Por causa da caça fortiva no Kruger Park, tivemos que pedir aos militares para darem apoio aos 650 rangers que protegem os animais.»

E se o número de turistas não para de aumentar («quem vem à África do Sul e não visita o Kruger fica com a sensação de como se não tivesse vindo»), as autoridades estão preocupadas com as ameaças aos animais, caçadores furtivos estrangeiros com equipamento de visão noturna e armas de grande calibre. «Tivemos de pedir aos militares para darem apoio aos 650 rangers do parque. Agora temos dois drones que vigiam tudo e helicópteros. Negociámos com a China e com o Vietname forma de travar o tráfico de corno de rinoceronte, que na Ásia pode valer mais de 80 mil dólares por quilo pelo mito do valor medicinal», explica a diplomata. No Kruger Park viverão 12 mil rinocerontes. O mais famoso parque da África do Sul tem o nome de um antigo presidente do Transvaal, república bóer derrotada pelos ingleses numa guerra no início do século xx. Paul Kruger acabou por morrer no exílio, mas a reserva natural que criou em 1898 foi mais tarde batizada com o seu nome e, garante a embaixadora, não há nenhum movimento para mudar a designação. «Também temos o krugerrand», diz Keitumetse Matthews, referindo- se à moeda de ouro muito cobiçada pelos colecionadores.

 

Texto de Leonídio Pualo Ferreira
Mala Diplomática da edição de julho 2015 - nº. 249