Com a abertura do céu açoriano às companhias aéreas low cost, novos mundos se abrem aos portugueses do continente e aos muitos estrangeiros que não dispensam um destino ecológico e sustentável. Na Ribeira Grande, ilha de São Miguel, há novidades que valem a viagem.

São Miguel, Açores

Santa Bárbara é nome de praia mas também de eco resort na ilha de São Miguel. É uma das grandes novidades para este verão. Tudo começou com o gosto de Rodrigo Herédia pelos Açores. «Venho para cá desde criança, por isso não é novidade para mim a qualidade que aqui se pode encontrar», diz o hoteleiro, voltado para o mar enquanto os muitos clientes fazem horas para o jantar com um gin tónico a repousar nos copos. Da ementa consta o peixe açoriano, mas também todos os outros produtos que fazem da região autónoma um destino completo em termos culinários. Não faltam as morcelas, o ananás, a pimenta da terra, as boas carnes e os vinhos – na sua maioria brancos e de qualidade – que continuam a ser, infelizmente, ilustres desconhecidos para a grande maioria dos portugueses.

Rodrigo não está só nesta aventura. O sócio, João Reis, faz questão de receber cada cliente como um convidado em sua própria casa. Sempre com um sorriso e dando dicas preciosas para quem possa estar pela primeira vez neste paraíso da natureza que faz parte do roteiro do mais importante campeonato de surf mundial. É aqui, na praia de Santa Bárbara, que competem os melhores do mundo numa modalidade bem conhecida para Herédia. Ele que foi um dos maiores divulgadores do surf em Portugal, competidor nato e que não perde a oportunidade de apanhar as ondas que chegam ao areal, ali mesmo, ao pé do mais recente empreendimento hoteleiro da Ribeira Grande. São 14 vilas, restaurante, um beach bar, piscina e um novo acesso público a uma praia bem conhecida na região. O empreendimento está inserido numa área com mais de 33 mil metros quadrados e o objetivo, de acordo com os proprietários, foi inseri-lo na paisagem, recorrendo a materiais autóctones, como a madeira de criptoméria. Os jardins e restantes áreas exteriores têm também plantas endógenas.

Cenário, conforto, boa mesa: tudo para ser feliz, no resort Santa Bárbara Eco-Beach Resort. Em cima, os proprietários, João Reis e Rodrigo Hérida.


As vilas são de tipologias 1 e 2, com sala, kitchenette, suite e terraço. Estão sobrepostas na encosta e perfeitamente enquadradas no meio envolvente, com o mar à esquerda, a cidade ao fundo e a lagoa do Fogo do lado direito.
O Santa Bárbara tem também um centro de atividades outdoor, onde, como não podia deixar de ser, está em destaque o surf, mas também mergulho, pesca desportiva, trekking, vulcanologia, observação de aves e parapente, entre outras.

Tempo bem empregado: surf na praia de Santa Bárbara

À frente do Areais, restaurante do resort, está o chef Diogo Miguel, homem da terra que não dispensa uma ida ao mercado da Graça, em Ponta Delgada, para procurar os melhores produtos açorianos. Entre eles estão os enchidos, os legumes e a fruta vindos diretamente do produtor. Quanto a peixe e marisco, nada a apontar, uma vez mais. Seja na capital da ilha ou mesmo na Ribeira Grande, as opções são todas de valor e cobiçadas pelo mundo fora. Dizem os entendidos que o atum aqui pescado está em menos de 24 horas à venda no mercado de Tsukiji, em Tóquio. O chef Diogo tem os seus contactos de fornecedores e só apresenta o melhor nas criações que faz chegar à mesa. Um tiro certeiro, a avaliar pelo sorriso de quem está nesta sala envidraçada com vista privilegiada para o Atlântico. E depois há o sushi, outro dos atrativos para os micaelenses e para quem visita a ilha. As várias combinações de cozinha japonesa têm servido de chamariz e de montra da qualidade deste projeto que acertou em cheio numa das máximas mais importantes do negócio da restauração e da hotelaria: localização, localização, localização.

Ribeira Grande está a menos de meia dúzia de quilómetros do Santa Bárbara e também ela se preparou para receber quem chega de novo. Além dos traços habituais que tornam peculiares as aldeias, vilas e cidades dos Açores – construção, espaços verdes, rocha vulcânica, tradição e hospitalidade –, Ribeira Grande tem agora um centro de artes contemporâneas de que todos os portugueses de devem orgulhar. O Arquipélago é, muito mais do que um mero museu, um espaço onde são apresentadas exposições, onde se organizam residências artísticas, um centro de produção visual, sala de espetáculos, biblioteca e serviço educativo. Foram necessários sete anos de recolha de arte contemporânea – açoriana, nacional e internacional – para que esta antiga fábrica de álcool abrisse ao público, em março deste ano.

As vilas do resort, sobrepostas na encosta, estão perfeitamente enquadradas no meio envolvente, com o mar ao lado e a cidade de Ribeira Grande ao fundo.

Descobrir a arte e o espaço físico deste Arquipélago é o desafio que fica a quem visitar a ilha de São Miguel. Junte-se as duas opções e há motivos de sobra para um fim de semana ou umas férias mais prolongadas por estas paragens. Entre a doce descontração à beira da piscina ou no quarto do Santa Bárbara Eco-Beach Resort e uma tarde de cultura na Ribeira Grande, verá, caro leitor, que todo o seu tempo foi bem empregado na descoberta da principal ilha dos Açores.

Texto de Ricardo Santos - Fotografias de Fernando Marques
Reportagem da revista Evasões semanal n.º 17 - à sexta-feira grátis com o Diário de Notícias e Jornal de Notícias