Já tinha belos parques e muitas paredes a servir de tela à street art, agora ostenta o título de Cidade Verde da Europa. Eis um guia para não perder o essencial de uma das mais convidativas cidades inglesas.

A cidade inglesa tem o carimbo verde da ecologia.
E tem design e música a rodos. E Bansky também.

Esta é uma iniciativa europeia que vale a pena acompanhar: todos os anos é eleita a Capital Verde, distinção atribuída com base nos esforços concretizados em prol do ambiente e do desenvolvimento sustentável. Criada em 2010, já premiou Hamburgo e Nantes, por exemplo, cidades que têm sabido renovar-se e, em simultâneo, são culturalmente dinâmicas e atrativas.

Este é, também, o caso de Bristol, por sinal berço do artista plástico Bansky e de bandas como Portishead ou Massive Attack. Para além das estatísticas – que referem ser a cidade, entre as maiores do Reino Unido, que consome menos energia por habitação, que tem a maior taxa de utilização de bicicletas e que conseguiu reduzir a produção de lixo em cerca de 30%, por exemplo. Até possui a sua própria libra, a Bristol Pound, moeda de adesão voluntária que visa encorajar a população a gastar o seu dinheiro na cidade, estimulando o comércio independente local. Não é caso único no país mas aquele que tem maior sucesso: são já quase 800 os estabelecimentos que a aceitam. Os visitantes também podem aderir à causa, trocando as suas esterlinas por estas libras friendly no posto de turismo.

Gary Newman

Cidade portuária que, um dia, enriqueceu devido ao comércio de escravos, Bristol é hoje um exemplo daquilo que deve ser uma comunidade apostada no futuro. Visitá-la ao longo deste ano traduz-se numa oportunidade especial para (re)descobrir os recantos da cidade, dos lugares óbvios, como a Catedral (1) ou a Cabot Tower (2) , no parque de Brandon Hill (3) (um dos espaços preferidos para piqueniques), à rota da street art – que além de obras de Bansky inclui muitas outras – e aos bares com música ao vivo. Aqui, a cada noite, se a história se repetir, poderão atuar futuros grupos de renome mundial. De potencial «incubadora» de bandas a cidade deve, segundo os pressupostos da Capital Verde, tornar-se fonte de inspiração para outras urbes europeias.

Bansky, Portishead, Tricky e Massive Attack partiram daqui para conquistar o mundo da música e da arte.
Este ano é o mundo a ser convidado a (re)descobrir esta cidade que é um exemplo no que toca ao ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

Quarto ou caravana?

brooksguesthousebristol.com
A localização é perfeita para calcorrear a cidade, o atendimento impecável e o pequeno-almoço inclui uns memoráveis ovos Benedict. A Brooks Guesthouse (4) , onde é impossível não nos sentirmos em casa, proporciona duas experiências diferentes: dormir em quartos bastante acolhedores, embora não especialmente espaçosos (desde 94 euros); ou numa caravana com vista, estacionada no topo deste antigo edifício de escritórios dos anos 1950. Com design inspirado no mesmo período, as Rocket Caravans são um sucesso, pelo que convém reservar com antecedência (desde 112 euros). Fica ao lado do St. Nicholas Market (5), um dos mais antigos e apreciados mercados da cidade, bom sítio para almoçar e fazer compras, de produtos frescos a vestuário e artesanato.

Máquina do tempo

ssgreatbritain.org
O SS Great Britain (6), primeiro grande navio transatlântico do mundo, é uma das principais atrações da cidade e, de facto,
oferece uma interessante «viagem no tempo». Obra do engenheiro Isambard Kingdom Brunel, fez-se ao mar em 1843 e navegou até 1933, transportando desde viajantes abastados a emigrantes que partiram para a Austrália em busca de uma vida melhor e soldados para lutar na Guerra da Crimeia. A visita é bastante esclarecedora e interativa: a maioria não resiste a fazer uma selfie com vestuário da época; menos são os que se atrevem a ver as vistas do topo do mastro.

Bairro com vista

theavongorge.com 
Numa ponta da cidade mas a poucos minutos do centro, Clifton (7) é um bairro elegante, com casas históricas muito bem preservadas, lojas tentadoras e cafés charmosos mas também espaços verdes como The Downs, que tanto inspira à atividade física como à sesta relaxante na relva. A Clifton Suspension Bridge sobre o rio Avon, outra obra de Isambard Brunel, mantém-se majestosa e um espetacular miradouro para quem a queira percorrer. Pode ser apreciada do Bridge Café do Avon Gorge Hotel (menu de almoço desde 18 euros) ou da soalheira esplanada vizinha (piza desde 12,5 euros).

A banhos na cidade

lidobristol.com
Espaço criado para banhos públicos que remonta a 1849, é hoje um spa com piscina e jacuzzi exteriores bastante frequentados
(mesmo no inverno) em Clifton. Esfoliações e massagens relaxantes fazem parte da oferta de The Lido (8), que muitos residentes usam para se manter em forma através de braçadas intermináveis. Curioso é observar esse esforço saudável e adelgaçante desde o primeiro piso, onde se situa o restaurante, a degustar um suculento peixe e, depois, uma «tábua» com meia dúzia de gelados deliciosos…
Preços desde 49 euros (com refeição e acesso a piscina, sauna e jacuzzi).

Bansky e outras artes

bristolmuseums.org.uk
theklabristol.co.uk
www.arnolfini.org.uk
O mais conhecido street artist a nível mundial nasceu aqui em 1974 e usou algumas paredes da cidade como tela para as primeiras obras. Há uma meia dúzia para ver (a lista está disponível no site visitbristol.co.uk), encontrando-se uma no Bristol Museum & Art Gallery (9) e outra no M Shed (ambos gratuitos), museu que traça a história da cidade. Neste último caso, trata-se de Grim Reaper, pintado no barco/sala de concertos Thekla (10), que agora decidiu convidar outro artista para ali exibir a sua arte, além de continuar a revelar novos músicos e bandas. Já o Arnolfini (11), reconhecido centro de arte contemporânea, acolhe até novembro uma mostra dedicada à obra de outro nativo de Bristol, Richard Long, vencedor de um Turner Prize.

Comer e beber

(5)

source-food.co.uk
friskafood.com
cosyclub.co.uk
redlightbristol.xxx
A Capital Verde apadrinha a produção local e, por isso, recomenda alguns restaurantes que a promovem. É o caso do Source Café (12), no centro do St. Nicholas Market; mas também do Friska (13), que serve refeições rápidas e foi recentemente nomeado melhor restaurante étnico. Há meia dúzia na cidade e também vende CD, vinis e roupa em segunda mão. Para beber um copo não faltam bares para todos os gostos, do Cosy Club (14), a funcionar num espaço que já foi igreja, ao Red Light (15), onde o porteiro foi substituído por um telefone e, à entrada, uma seta em néon a dizer sex indica o caminho para a cave… Afinal é um bar comum, no qual se destacam o atendimento simpático e a música, sobretudo dos anos 1950 e blues.

Mais informações

visitbristol.co.uk
bristol2015.co.uk

Texto de Teresa Frederico