Depois de mais de cinquenta anos de embargo económico, EUA e Cuba voltaram a relacionar-se. Fala-se na mudança que, aos poucos, já está a abrir portas para ambos os lados. Saiba o que pode mudar e o que se vai manter em Cuba. Escolha o que visitar na ilha que aposta quase tudo no turismo.

Desde que Barack Obama, presidente dos EUA, anunciou uma mudança na política de relações diplomáticas com Cuba, os operadores turísticos registaram quatro vezes mais procura por este destino das Caraíbas. Os 45 minutos ao telefone com Raúl Castro, presidente de Cuba, foram suficientes para fechar um acordo. Houve vontade de normalizar a ligação que estava interrompida.

Obama já o tinha manifestado – «Há muito tempo que estou preparado para mudar de políticas» –, no entanto havia um entrave, entretanto resolvido: meia hora antes do discurso que se tornou histórico, aterrou numa base em Washington, Alan Gross, norte-americano preso desde 2009 em Cuba, acusado de «ações contra a integridade territorial do Estado».

Inimigos desde o período da Guerra Fria e separados por um embargo económico que bloqueava todo o comércio, as relações diplomáticas estavam suspensas desde 1961. Foi decisão do presidente John F. Kennedy, na sequência da aproximação dos revolucionários castristas à União Soviética e da confiscação de bens norte-americanos. Num Estado onde não há estabelecimentos de fast food em cada esquina, vários promotores reforçam uma ideia: quem quiser conhecer a Cuba dos Castro tem de se apressar. É esperado um crescimento exponencial do turismo e 2015 é o ano da mudança.

Com a situação devidamente regularizada, os mais de noventa mil norte-americanos que todos os anos visitam Cuba vão passar a poder utilizar cartões de crédito, já que, por enquanto, apenas podiam viajar com dinheiro no bolso. Outra mudança passa pela possibilidade de instituições norte-americanas poderem abrir contas bancárias em instituições financeiras de Cuba. As restrições económicas, que Barack Obama tenta aliviar, podem abrir a oferta das empresas norte-americanas aos onze milhões de consumidores cubanos. Além disto, é esperada uma melhoria das infraestruturas de telecomunicações (melhor acesso à internet
é uma das vantagens apontadas), bem como o surgimento de outros possíveis investidores ligados à área da construção.

Até ao final deste ano está previsto o reatar das ligações aéreas comerciais regulares entre os EUA e Cuba.

Image by © PRENSA LATINA/Xinhua Press/Corbis
Image by © PRENSA LATINA/Xinhua Press/Corbis

No passado 20 de julho, EUA e Cuba reabriram as respetivas embaixadas em Havana e Washington, reatando relações diplomáticas sete meses depois do início do processo de reaproximação (dezembro de 2014). O presidente cubano, Raúl Castro, frisou que as relações bilaterais só serão normalizadas quando o seu homólogo norte-americano utilizar os poderes executivos para pôr fim ao embargo. Outras exigências de Cuba são a devolução do território «ilegalmente ocupado» da base naval de Guantánamo, o fim das «transmissões de rádio e televisão ilegais», a eliminação de programas que promovam a «subversão e desestabilização internas» e uma compensação «pelos danos humanos e económicos» causados pelos anos de bloqueio.

Para já, Washington retirou Cuba da «lista negra» norte-americana de Estados que apoiam o terrorismo. E a 14 de agosto, o secretário de Estado norte-americano John Kerry tornou-se o primeiro chefe da diplomacia dos EUA a visitar Cuba desde 1945. Kerry presidiu à cerimónia do hastear da bandeira das riscas e das estrelas na embaixada norte-americana em Havana.

Texto de Nuno Mota Gomes