São Tomé e Príncipe: o sonho existe e está ali

Sem pressa nem hora marcada

A estabilidade política e a malária praticamente erradicada são dois fatores a jogar a favor para visitar o segundo país mais pequeno de África, quase perdido no Golfo da Guiné. Aparece cada vez mais nas listas de possíveis destinos dos viajantes ainda que, em 2014, apenas 18 mil visitantes o tenham escolhido. É um número recorde, mas continua muito longe do real potencial. Isto depois de a cadeia norte-americana de televisão CNN o ter classificado como um destino de sonho a nível mundial. Ainda está quase tudo por fazer e também conhecer. Por isso, para visitar é agora.

Há dez anos que se fala no crescimento do turismo em São Tomé e Príncipe: é esta a opinião partilhada pela maior parte dos agentes de negócios virados para os turistas, alguns descontentes com o retorno que ainda não justificou o investimento. Este é um país que parece ter parado no tempo – depois da independência e da descolonização. O território chegou a ser o maior exportador de cacau do mundo e hoje apenas se visita o que resta das roças abandonadas. O pouco desenvolvimento que tem havido acontece de forma bastante lenta – quase à imagem do ritmo de vida da maioria dos santomenses –, voltando a aparecer a exportação de cacau e o incentivo ao cultivo de óleo de coco, de mandioca e do saboroso café.

A ajuda externa é, essencialmente, do que vive o país e o investimento dos privados também dá um empurrão. Mas não chega para colmatar a pobreza e a precariedade dos serviços públicos, como estradas, hospitais e aeroportos. No entanto, a conversa de que o turismo vai (mesmo) crescer começa a ser levada a sério de forma mais concreta pela população. Está sobre a mesa o aparecimento de uma ligação aérea low cost (provavelmente ainda este ano) para São Tomé, o que abrirá as portas a mais turistas e o país, por sua vez, ganhará maior reconhecimento internacional. De resto, as condições estão lá todas: o povo é hospitaleiro, a cultura é rica, as praias são de sonho – e com coqueiros. Para se conhecer um país praticamente intocável, esta é altura ideal para o fazer.

O mesmo acontece na ilha do Príncipe. Não é um segredo porque há 500 anos os portugueses a assinalaram no mapa, mas todos os esforços estão a ser feitos para atrair mais curiosos para aquele pequeno paraíso. A grande responsável tem sido a HBD, parte de um grupo de investimento privado sul-africano focado na sustentabilidade do turismo. Para além de lhes pertencer o resort Bom Bom, empregam 700 pessoas numa ilha onde habitam sete mil.

A ilha do Príncipe é um pequeno paraíso à espera de ser descoberto.

A cidade de Santo António é tida como a mais pequena do mundo e a HBD já lá tem vários projetos aprovados e em fase de desenvolvimento, desde transformar roças degradadas em hotéis ecológicos, recuperar a produção do cacau, pimenta, café ou ananás e também construir aquele que vai ser o maior projeto de sempre da ilha: um resort sustentável, sem afetar a natureza, para custar cerca de 1000 euros por noite.

Para conseguir dar resposta à procura, talvez a principal obra já tenha sido feita: a nova pista do aeroporto da ilha, que foi inaugurada há seis meses e não só já está preparada para receber aviões de médio porte com ligação direta, ao invés da pequena avioneta vinda de São Tomé, como também para os jatos privados… para quem sabe que “o sonho existe” e está ali.

Leia aqui a reportagem completa de São Tomé e Príncipe.

Veja aqui os episódios da Volta ao Mundo na televisão.


Curiosidade:
A ilha do Príncipe é Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO desde 2011 e a população esforça-se por preservar o seu futuro, mantendo a ilha limpa e abandonando alguns hábitos que podem pôr em risco a sua classificação. Exemplos: deixar de pescar tartarugas para comer; campanha de recolha de garrafas de plástico em troca de uma reutilizável de aço, de 50 por uma, que já atingiu mais de 316 mil unidades.


A não perder:

Em São Tomé, a Roça Monte Café, em funcionamento desde 1850, é uma das mais antigas do país, e onde se conhece todo o processo de produção do café até à sua embalagem. O mergulho na cascata de São Nicolau não é obrigatório, mas há sempre o corajoso do grupo. Visitar a roça Água de Izé é viajar no tempo e voltar à época colonial. Passar uma tarde no Club Santana. As praias da Lagoa Azul, Ribeira Afonso, Inhame, merecem a deslocação, embora nunca se consiga escolher a melhor.

No Príncipe, visitar a roça Sundy que, para além ter sido a casa da família real portuguesa na ilha e responsável pela maior produção do cacau e café, terá sido o local onde ficou provada a teoria da relatividade de Albert Einstein em 1919. As praias mais impressionantes são Banana, Burras, Macaco, Boi, Margarida e a Bom Bom (no resort). A roça de São Joaquim é uma das mais afastadas da cidade de Santo António e a estrada até lá vale parte da deslocação. Na Praia Abade vive uma das comunidades mais simpáticas da ilha, com as pirogas apontadas para o areal onde as crianças passam o dia a brincar: uma simples bola de futebol ali faz a diferença.

Evento
A 12 de julho comemora-se a Festa da Independência, a maior do país, principalmente na ilha de São Tomé. A 15 de agosto é a altura da Festa de São Lourenço, na ilha do Príncipe, conhecida como o Auto de Floripes: é um teatro de rua que retrata o conflito entre cristãos e mouros. As cenas desenrolam-se nas ruas da cidade durante três dias e são o maior evento cultural da região autónoma.

Info

Moeda: 1 euro – 24.500 dobras
Fuso horário: GMT
Idioma: Português
Quando ir: O clima é tropical e húmido, estando sempre quente. A “gravana” ocorre entre junho e agosto, quando o tempo é mais seco, havendo menor precipitação e as temperaturas são mais baixas. A estação da chuva vai de outubro a maio, o calor, independentemente da hora do dia e da noite, é sempre elevado.
Informações: É aconselhável ir à consulta do viajante para serem receitadas as vacinas e todos os cuidados de saúde a ter antes, durante e após a viagem. Consultar a embaixada de São Tomé e Príncipe em Lisboa sobre a eventual necessidade de pedir visto, dependendo do tempo de permanência. A taxa turística à saída de São Tomé no aeroporto tem um custo de 20 euros.
– Turismo: stptourism.st/ infor_uteis.htm
– Guia profissional recomendado em São Tomé: toda a gente conhece o “Cau”: guiaturisticostp.wordpress.com

Onde ficar

Pestana São Tomé
É a maior referência hoteleira da ilha e está a dez minutos a pé do centro da cidade. Instalado em frente do mar, tem 115 quartos, incluindo 30 suites, piscina, ginásio aberto 24 horas, spa, discoteca e casino, clube náutico com passeios de barco, saídas de mergulho e snorkeling, e um restaurante que serve tanto comida tradicional como buffet para outros gostos.

Av. Marginal 12 de julho, 851
Tel.: (+239) 2244 503
Quartos duplos a partir de 142 euros por noite (inclui pequeno-almoço)
pestana.com

Bom Bom Island Resort
É tão exclusivo quanto se pode querer, numa oferta de 21 bungalows a dar para duas praias paradisíacas e com uma piscina pelo meio. Para ir tomar o pequeno-almoço faz-se o esforço de atravessar uma passadeira de madeira de 140 metros por cima da água até ao restaurante no ilhéu que emprestou o nome ao resort. São disponibilizados passeios de jipe à volta da ilha, de barco até outras praias como a Banana, observação de baleias e a caminho faz-se um mergulho de snorkeling.

Bom Bom, Ilha do Príncipe
Tel.: (+239) 225 1114
Bungalow duplo a partir de 350 euros por noite.
bombomprincipe.com

Omali Lodge São Tomé
Praia do Lagarto, São Tomé
Tel.: (+239) 222 2350
Quarto duplo a partir de 207 euros por noite
omalilodge.com

Club Santana Beach & Resort
Santana, São Tomé
Tel.: (+239) 224 2400
clubsantana.com