Milos, Grécia

O pai dizia-lhe para andar descalça pela ilha. «Sente a terra, sente a força que vem dela, absorve esta extraordinária energia», exclamava. Virgínia tinha pouco mais de 10 anos e já lá vão quase 60. O pai era um aristocrata de origem turca e tinha aportado em Milos ainda novo, com a sua família em fuga de Istambul. Eram tempos de guerra e a história conhecia um dos seus mais trágicos momentos, com milhares de famílias gregas e turcas a cruzarem-se nas fronteiras, expulsas das suas casas porque não pertenciam à religião dominante em cada um dos países.

O pai Grigorious tornou-se proprietário de uma das mais ricas minas da ilha e Virgínia cresceu com o cheiro da terra vulcânica, a olhar as suas diferentes cores vivas desenhadas em fatias geometricamente perfeitas no monte onde era feita a extração dos minérios. E a sentir a energia que dela se desprendia, invisível, mas poderosa. Com o seu cabelo cor de fogo, quase sempre revolto pelas carícias do vento – como aliás ainda hoje – era conhecida em toda a ilha – como ainda hoje – e não havia canto que não tivesse pisado, águas onde não tivesse mergulhado, areias de praia – «são 72 e conheço todas», diz com orgulho – que não lhe conhecesse a textura e o calor.

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Texto de Valentina Machado - Fotografias de Direitos Reservados
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