Ao contrário de cidades como Barcelona, Veneza ou Dubrovnik – que criaram limitações para o número de turistas – Amesterdão seguiu outro caminho e decidiu adotar uma abordagem completamente diferente.

O cada vez mais popular destino holandês, que atrai mais de 14 milhões de visitantes por ano, tenta ser criativo e não proibitivo com as soluções para o excesso de turismo. «Somos uma cidade aberta e tolerante», disse Geerte Udo, diretora de turismo de Amesterdão, à Condé Nast Traveler. «Como poderiam imaginar-nos a dizer ‘Não é bem-vindo aqui!’?», perguntou.

Geerte Udo e a equipa do i amsterdam – que supervisiona o turismo da cidade – passaram os últimos dois anos a tentar levar subtilmente os turistas para longe das atrações mais populares, como o Red Light District e o Museum Quarter. Para o conseguirem, usaram os dados armazenados no chip dentro do City Card de Amesterdão – que dá acesso a várias atrações e transportes públicos gratuitos -, para analisar o comportamento dos turistas e encontrar maneiras de modificá-lo para facilitar o problema das filas e congestionamento em certas zonas da cidade.

«Conseguimos ver exatamente como essas pessoas se comportam», disse Udo. «Todas as pessoas chegam à cidade e vão para o Museu Van Gogh durante a manhã, e andam de barco nos canais à tarde».

A equipa do i amsterdam tentou, então, contornar esse padrão, sugerindo, por exemplo, às pessoas quando comprassem o City Card que fizessem um passeio de barco logo pela manhã para evitar multidões. Outra estratégia envolveu exibir um feed ao vivo a mostrar a fila nos lugares mais populares, como o Museu Van Gogh, encorajando os visitantes a deixarem a visita para mais tarde e experimentarem outro local.

Outras medidas incluíram dar diferentes nomes a certos lugares para chamar os turistas. A Zandvoort – que fica a cerca de 30 quilómetros do centro da cidade -, foi dado o nome de Praia de Amesterdão. Além disso, os transportes públicos para destinos mais distantes como este passaram a estar incluídos na oferta do City Card.

A tecnologia está também a desempenhar um papel importante na tentativa de redistribuir os turistas em Amesterdão. Uma nova aplicação chamada «Discover the City» envia alertas de notificações aos utilizadores quando uma atração está mais cheia do que o normal, sugerindo alternativas.

Um serviço alimentado por Inteligência Artificial para o Facebook Messenger também está em construção. Este irá analisar o perfil de uma pessoa e, em seguida, sugerir atividades interessantes para fazer na cidade com base nas suas publicações e gostos. Atualmente está apenas disponível em holandês, mas espera-se que uma versão em inglês esteja pronta no final de 2018.

«Não se pode fechar uma cidade», disse Geerte Udo. «Essa é uma solução a curto prazo. É preciso arranjar soluções para o futuro para que seja possível lidar e cooperar com os habitantes locais».


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