Bem-vindo ao Polo Gelado

Não é, nem pretende ser, um roteiro de viagem tradicional. Tão-pouco será uma sugestão óbvia de evasão. Mas é um registo de vida e a prova de que ela existe (com tudo o que isso implica e inspira) para lá das fronteiras habituais. Da Sibéria, com amor.

Texto e Fotografias de Amos Chapple/Zumapress.com

Se dissessem a um cidadão russo contemporâneo de Estaline que o iriam enviar para a Sibéria, a reação deste seria, inevitavelmente, de terror; de um justificado terror – todos os que sofriam tal «punição», porque era disso que se tratava, sabiam ter pela frente meses de trabalho árduo em condições extremas de baixas temperaturas.

Uma viagem a Oymyakon, considerado por muitos como o local permanentemente habitado mais frio do mundo, leva-nos ao longo da M56 Kolyma – que liga All Nizhny Bestyakh, no Ocidente, a Magadan, no Oriente –, também conhecida por «Estrada dos Ossos» por ter sido construída por prisioneiros políticos durante a sua permanência nos Gulag (campos de trabalho forçado no regime de Estaline). Muitos morreram, tendo os seus corpos sido simplesmente enterrados sob a estrada de 2031 quilómetros, o que explica a alcunha da mesma.

Com temperaturas a rondar habitualmente os 50º.C negativos, a vida em Oymyakon não é fácil. Quando o inverno se instala, é comum vislumbrar pequenas fogueiras acesas debaixo dos camiões para descongelar o diesel, não sendo raro ver igualmente homens com maçaricos a derreter a massa lubrificante. A cidade foi, na sua génese, uma paragem para pastores de renas, que, aproveitando a existência de uma nascente termal, ali davam de beber às suas manadas. Conhecida como o «polo gelado», por estar sempre debaixo de um manto de gelo, esta cidade de quinhentos habitantes em tempos chegou a registar a temperatura de 71º.C negativos.

A vida não é fácil em Oymyakon. Com temperaturas médias a rondar os 50 graus negativos, é o local habitado mais frio do mundo.

Recuando mais um pouco na história, Oymyakon não estava destinada a ser um município – Estaline fê-lo numa tentativa de controlar nómadas «problemáticos» no extremo da Rússia. Hoje, apesar de uma população que também inclui mineiros, as velhas tradições permanecem. A prova disso é a presença das renas, que continuam a ser uma parte significativa da vida da população local, fornecendo pele, carne e leite às gerações das famílias locais.

Oymyakon


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