Em 2008, Jamie e Behan Gifford decidiram que era altura de dar uma volta às suas vidas. Pegaram nos três filhos e iniciaram uma viagem de barco pelo mundo. Já lá vão 10 anos, à boleia do vento.

Os Gifford eram uma família suburbana como tantas outras. Viviam com os três filhos nos subúrbios de Washington. Além de uma bela casa, tinham uma autocaravana. Mas sentiram que a vida lhes estava a passar ao lado, e que pouco ou nada tinham feito para a aproveitar verdadeiramente. «Eu e o meu marido estávamos cada vez mais ocupados com os empregos, e nossos filhos cresciam a olhos vistos», disse Behan ao Business Insider.

Foi então que decidiram deixar os subúrbios e a vida pacata que levavam, para embarcarem na aventura das suas vidas. Os filhos tinham, na altura, 4, 6 e 9 anos.

Desde que iniciaram a vida no mar, a bordo de Totem – um veleiro Stevens 47, construído em 1982 -, os Giffords exploraram inúmeros lugares desconhecidos e aprenderam a viver com poucos meios – têm menos de 15 peças de roupa cada um e gastam apenas 25 mil dólares por ano (cerca de 20 750 euros). No entanto, garantem que cresceram melhor enquanto família. As viagens que fizeram levaram-nos a conhecer o mundo – até agora, visitaram 30 países, das Caraíbas ao sul de África e ao Sudeste Asiático.

A embarcação à vela dos Giffords é «o equivalente a uma pequena casa flutuante», disse Behan. «Cada espacinho tem uma determinada utilidade. Debaixo do sofá está o depósito da água, por exemplo». Três painéis solares e uma turbina eólica ajudam a família a obter energia para todos os equipamentos.

Entretanto, passou-se uma década. As crianças cresceram e pouco se lembram da vida que anteriormente levavam: «Não me lembro de como era viver numa casa ou em terra», disse Siobhan, a mais nova. Já Mairen, a filha do meio que tinha 6 anos na altura, diz só ter «pequenas memórias antes de começar a viver no mar».

A escola? Essa deixou de existir quando saíram de Washington – pelo menos em termos físicos. São os pais que têm ensinado os filhos, e continuam a fazê-lo enquanto navegam pelo mundo. Para os mais novos, todos os dias são uma visita de estudo. «É disso que normalmente as crianças mais se lembram quando falam da escola», afirma a mãe.

«Não há dois dias iguais enquanto velejadores», disse Behan. «Onde quer que vá, a nossa família adora explorar os arredores e conhecer os seus habitantes. Para passarmos o tempo, temos jogos de computador e cartas, uma guitarra e livros para ler».

«Não tenho a certeza se iria gostar de viver em terra. Sinto-me muito mais confortável no mar. Penso que a educação que tive vai ajudar-me imenso na profissão que vier a escolher», afirma Niall, o irmão mais velho.

Os Giffords vão continuar a percorrer milhas náuticas «enquanto todos quiserem estar a bordo». «Tem de ser algo que façamos enquanto família. Quando um de nós quiser mudar de vida, acaba».

“Viajar pelo mundo é a melhor educação para as crianças”


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