Cada destino tem a sua particularidade, um símbolo famoso por todo o mundo, que por si só justifica uma viagem ou uma escapadinha.

De Paris falamos da tour Eiffel, de Londres lembramos a Tower Bridge, e de Praga não podemos esquecer aquela que é uma das mais belas bibliotecas do mundo. É no Mosteiro Strahov que encontramos uma das principais razões para visitar a cidade de Praga: fundado no século XII, ainda hoje tem a maior biblioteca monástica do país. Com mais de 110 mil livros, 1200 destes foram impressos antes do século XVI. Alguns dos livros são raros e estão expostos em estantes de vidro, onde é possível contemplar as obras de um tempo quando não existiam grandes gráficas e computadores, e a arte de cada livro saía da própria mão de um exímio monge copista.

A biblioteca do Mosteiro Strahov inclui dois impressionantes salões barrocos. O mais antigo é o Salão da Teologia, datado do século XVII. Aqui encontram-se diversas edições da Bíblia e outros livros daquela época.

O outro é o Salão da Filosofia, do século XVIII. Com incríveis frescos dedicados à evolução espiritual da humanidade a abrilhantar o teto, nesta sala encontram-se sobretudo publicações de filosofia.

Além de livros que são autênticas raridades, nesta biblioteca também se pode encontrar uma coleção de objetos do oriente, como antigos tabuleiros de xadrez com figuras de madeira e estátuas variadas.

Quem viaja até ao Porto para entrar na livraria Lello, ou até Mafra para descobrir a biblioteca do convento, ficará de alma cheia ao entrar na biblioteca do Mosteiro Strahov. Mas a verdade é que também o edifício vale por si só, nem que seja por ser um dos mais antigos da cidade, e com uma atribulada mas interessante História escondida nas suas paredes.

Construído inicialmente em 1140, pela Ordem dos Premonstratenses, foi destruído pelo fogo em 1258. Foi então reconstruído, pela égide do estilo gótico. Entretanto, durante mais de 500 anos, foi pilhado, primeiro pelos Hussitas, e depois, durante a Guerra dos 40 anos, pelo exército sueco. Em 1742, foi bombardeado pelos franceses. Em 1787, o regime de José II ordenava o fim dos mosteiros na República Checa, mas os monges não se renderam. Declararam Strahov como uma instituição escolástica, graças à biblioteca que durante tanto tempo conseguiram manter, e tornaram-se um dos poucos mosteiros a escapar à extinção.

Com mais de 110 mil livros, 1200 destes foram impressos antes do século XVI.

Em 1948 a instituição sofre o temido fim, devido à subida ao poder do comunismo, mas não passou de um interregno. Em 1989, a queda do regime permitiu o seu regresso. Hoje é um mosteiro em atividade, com uma área disponível para visita e outra reservada aos monges. Aliás, durante uma parte do ano, o mosteiro abre um restaurante com esplanada, que oferece uma vista privilegiada sobre uma das áreas centrais e mais nobres de Praga.

Um dos principais destaques do mosteiro, além da biblioteca, é a Basílica de Nossa Senhora, onde se podem observar frescos sobre a temática da Virgem Maria e trechos da vida de São Norberto, fundador da Ordem dos Premonstratenses. É aqui também que se encontra um dos órgãos tocados pelo génio de Mozart, que reconhecendo a beleza ímpar daquele lugar, escolheu-o como palco para um pequeno recital, em 1787.

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