Uma viagem de ida e volta para Nova Iorque a 100 euros? Ou dos Estados Unidos para as Maldivas a 55 euros? Parece estranho, certo?

Na semana passada, houve voos para Auckland, a partir dos EUA, a 300 dólares ida e volta (cerca de 240 euros) – o preço habitual são 800 dólares (perto de 650 euros) por pessoa. Aquele valor, no entanto, era extremamente limitado e esteve apenas disponível durante algumas horas, mas tal não impediu que os viajantes reservassem bilhetes suficientes para causar o pânico na Air New Zealand. A viagem aérea de 300 dólares não foi uma venda consentida: tratava-se de uma anomalia conhecida na comunidade de passageiros frequentes como uma «tarifa de erro».

Apesar de a Air New Zealand ter cancelado e reembolsado o valor dos bilhetes, nos últimos anos têm existido várias tarifas erradas em muitas companhias aéreas. E os viajantes com sorte que conseguiram viagens incrivelmente acessíveis não tiveram de pôr em prática nenhum truque para consegui-las. Conhecer alguns conceitos básicos é tudo aquilo de que precisa para melhorar as suas probabilidades de ser um dos sortudos futuramente.

Mas, afinal, o que é uma «tarifa de erro» (mistake fare)?

Como Matthew Ma, co-fundador do site de viagens The Flight Deal, explica no seu site: «Uma ‘tarifa de erro’ é essencialmente um erro no preço cobrado – uma tarifa baixa entra acidentalmente nos sistemas de reserva devido a um problema do computador ou a um erro humano».

Outro nome para estas tarifas incrivelmente baratas é «fat finger fare» (tarifa do dedo gordo), já que, muitas vezes, os erros acontecem porque algum trabalhador de uma companhia aérea ou site de viagens carregou no botão errado ou na tecla incorreta do teclado. Matthew Ma continua: «Em alguns casos, a companhia aérea apagou um dos zeros do valor total (por exemplo, 500 dólares em vez de 5000); noutros casos, há erro de conversão da moeda».

De facto, não há uma ciência exata para descobrir se uma companhia aérea irá ou não reconhecer e respeitar uma «tarifa de erro». A decisão é feita por cada companhia, e geralmente reflete o quão generosos estão naquele momento, ou dos benefícios ou prejuízos que podem ter com a cobrança efetiva daqueles valores.

No caso de uma «tarifa de erro», o melhor dos cenários é que a companhia aérea respeite o preço incrivelmente baixo do bilhete, e que os viajantes com sorte consigam de facto uma viagem com uma ótima tarifa. No pior dos cenários, como aconteceu na semana passada com os voos de ida e volta da Air New Zealand, a companhia simplesmente cancela e reembolsa todos os passageiros. E aí, não há viajantes sortudos nem viagens baratas para ninguém.

Como conseguir uma «tarifa de erro»

Seguir alguns sites estratégicos e contas nas redes sociais dos ditos sites aumentará as suas probabilidades de conseguir ver o alerta de tarifas em erro a tempo de reservar e comprar os bilhetes com aqueles preços.

No SecretFlying (secretflying.com) é possível encontrar as ofertas de voos com tarifas em erro que se encontram ativas naquele momento (incluindo partidas de Portugal). Já o Jack’s Flight Club (jacksflightclub.co.uk) é uma ótima ferramenta para conseguir agarrar as tarifas mais baixas – mas a maioria dos voos parte de cidades inglesas (ainda assim, um voo de ida e volta a partir de Londres para Tóquio a 280 euros é um ótimo preço, mesmo que tenha de comprar um outro voo até Londres).

Mas é preciso estar atento: assim como as tarifas de erro são descobertas por estes sites, podem ser descobertas e corrigidas pelas companhias aéreas. A velocidade, neste caso, é a sua melhor amiga. Há um outro conselho a ter em conta – «reservar primeiro e planear mais tarde» (não se esqueça de que as companhias aéreas podem cancelar os bilhetes e devolver-lhe o dinheiro).

Algumas dicas:

Seja flexível
A flexibilidade é o requisito número um para reservar com sucesso uma «tarifa de erro». Não é assim tão incomum que uma tarifa de erro envolva apenas um voo de ida para o Vietname, ou que exija que se pague em moeda estrangeira.

Leia os blogues e os sites
Para algumas tarifas erradas, a recomendação é reservar diretamente com o site da companhia aérea. Para outros, pode ser melhor reservar com uma agência de viagens online, como a Expedia ou a Travelocity. Faça uma pesquisa no Google para ler os últimos posts sobre estas tarifas, e veja os últimos tweets sobre a «tarifa de erro» em que está interessado, para saber o que dizem aqueles que a reservaram com sucesso.

Tenha atenção ao seu cartão de crédito
Não há previsão sobre uma «tarifa de erro», e isso vale tanto para pormenores como a moeda de pagamento, como para as cidades de partida e os destinos. Algumas tarifas só estão disponíveis se pagar em coroas norueguesas, ou em rúpias indonésias. Por esse motivo, use um cartão de crédito sem taxas de transação no estrangeiro, ou planeie adicionar pelo menos 4% ao preço final.

O que pode acontecer?

Cancelarem e reembolsarem a tarifa, como no caso da Air New Zealand. Por outro lado, a companhia pode optar por oferecer um outro acordo que beneficie ambas as partes, como um preço reduzido de ida e volta. A companhia aérea pode mesmo cancelar o bilhete, mas depois mudar de ideias e respeitar a tarifa. Por exemplo, houve recentemente um erro da Emirates, com voos de ida das Maldivas para os EUA a 66 dólares (cerca de 53 euros). Originalmente a companhia optou por cancelar os bilhetes, mas depois acabou por repor as mesmas passagens aéreas. Nunca se sabe o que lhe pode acontecer.

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