«Para a maioria dos checos, a cerveja é uma tradição. É uma tradição que consiste em encontrar se e conversar com os amigos, e beber boa cerveja, por vezes acompanhada de saborosa comida», explica Petr Selepa, que em janeiro deste ano apresentou credenciais como embaixador da República Checa em Lisboa.

«Os checos costumam ir aos bares e restaurantes para conviver e partilhar os seus momentos com os familiares, amigos ou colegas», acrescenta o diplomata, que se expressa com fluência em português por em tempos ter estudado na Universidade de Évora.

Falando sobre a cerveja como um dos tesouros checos, Petr Selepa faz também um alerta: «Na República Checa não se bebem copos pequenos, mas normalmente canecas. Ao pedir uma cerveja, o dono do restaurante traz sempre uma caneca. Se quiser um copo pequeno, tem de pedir mesmo copo pequeno.» E, acrescente‑se, uma caneca checa é de meio litro, «um tamanho normal», sublinha, a sorrir, o embaixador.

O gosto pela cerveja é transversal a toda a República Checa, país nascido, tal como a Eslováquia, em 1993 da divisão pacífica da antiga Checoslováquia. Esta última celebraria cem anos em 2018, pois surgiu no final da Primeira Guerra Mundial, fruto da desagregação do Império Austro‑Húngaro. «Não só se bebe cerveja em todas as regiões do país, como a tradição reúne pessoas de diferentes idades e classes sociais. Todos gostam de cerveja», diz Petr Selepa.

A cerveja é para a cultura checa o que o vinho é para Portugal

Há grandes marcas nacionais como a Pilsner Urquell ou a Kozel, mas nas pequenas cidades há cervejeiras que vendem só localmente, em alguns casos apenas a um grupo de restaurantes. E há até cidades com cervejeiras que pertencem à câmara municipal. Segundo o embaixador, esta diversidade de cervejas, aliada à natureza e ao património arquitetónico, atrai cada vez mais turistas, incluindo portugueses. «Os portugueses gostam de boa cerveja e claro muito da checa», nota Petr Selepa.

Duas cidades checas são famosas pela sua ligação à história da cerveja: Plzen e Budejovice, embora mais conhecidas pelos nomes alemães de Pilsen e Budweis, um legado dos tempos imperiais. Uma deu um tipo de cerveja, a outra, por culpa da emigração de séculos passados, originou a famosa cerveja americana Budweiser, cuja empresa chegou em tempos a entrar num bizarro conflito comercial com os checos.

Imagem: Shutterstock
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No Sudeste do país, na Morávia do Sul, conta o diplomata, existe uma região vinícola, que produz brancos e tintos, mas isso não significa que o vinho faça concorrência à cerveja. Aliás, Petr Selepa sintetiza bem a situação ao afirmar que «a cerveja é para a cultura checa o que o vinho é para Portugal». Por isso têm fama os checos de ser os maiores consumidores mundiais, mesmo que por vezes os alemães se imponham nessa competição entre povos amantes da cerveja.

Seja pelo turismo seja porque estudaram Medicina em Plzen, cada vez mais portugueses apreciam as cervejas checas, garante o embaixador. Por isso, a embaixada ajudou a dar formação a baristas de cerveja checa e hoje em Lisboa já se pode beber imaginando‑se que se está em Praga.

Texto de Leonídio Paulo Ferreira

Pilsen – Roteiro pela Capital Europeia da Cultura


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