Javier Cañada/Unsplash
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Há uns anos era imperativo desligar os telemóveis antes da descolagem de um avião – e, com medo do que poderia suceder se os deixassem desligados, todos (tirando os mais esquecidos) o faziam.

Hoje em dia já não é bem assim. Nas instruções de voo, é apenas pedido que se coloque o telefone e os restantes aparelhos eletrónicos em modo de voo. Mas se não o fizer, o que acontece realmente?

A ideia da maioria dos passageiros é de que os telemóveis interferem com os instrumentos de navegação e que podem até causar um acidente. Será verdade?

«Betty», uma assistente de bordo anónima que deu uma entrevista à revista Vice sobre a vida nos bastidores dos aviões, pensa que não. «Ninguém desliga os seus telefones. Eu própria não o faço. Todas essas instruções são apenas preventivas. (…) Mantenho-o ligado. Ninguém se importa e ninguém vai verificar», afirma Betty.

Patrick Smith, um piloto dos Estados Unidos e autor do Cockpit Confidential, assume uma posição menos blasé, mas concorda que a regra é mais uma das práticas cautelosas. «Poderá um dispositivo móvel interferir com o voo? Depende do dispositivo e de como, e quando, esse dispositivo é usado», diz Patrick.

Dando o exemplo dos computadores portáteis, afirma que, embora um computador antigo possa emitir energia prejudicial, o seu maior risco é o facto de ser «um objeto projetável a grande velocidade durante uma desaceleração ou um impacto súbito».

Mas será que, relativamente aos telemóveis, «as comunicações móveis podem realmente interferir com o equipamento do cockpit? A resposta é que potencialmente sim, mas com muitas probabilidades de que não interfiram. As companhias aéreas e a Administração Federal de Aviação (FAA ) preferem apenas prevenir do que remediar», acrescenta.

«A eletrónica dos aviões foi projetada tendo em consideração as possíveis interferências, o que deve atenuar qualquer efeito negativo – até à data não há casos provados de que um telemóvel tenha afetado negativamente um voo. Mas nunca se sabe», continua.

O potencial das interferências dos telemóveis com o sistema eletrónico dos aviões não existe apenas quando este está a ser usado, mas também quando está parado dentro das malas ou nos bolsos, razão pela qual o modo de voo deve ser ativado, mesmo que os passageiros não tenham intenção de utilizar o telefone durante todo o voo.

Smith reconhece que, apesar do pedido claro no início de cada voo, «pelo menos metade dos telefones, seja por esquecimento ou preguiça, são deixados ligados durante o voo». No entanto, acrescenta que se os telemóveis fossem assim tão importantes para a navegação aérea, a política aplicada seria mais rígida.

Contudo, há pelo menos dois incidentes graves em que os telemóveis estiveram implicados: primeiro, o acidente não resolvido de um avião Crossair, na Suíça, em 2000, quando transmissões falsificadas confundiram o piloto automático; segundo, um acidente fatal em Christchurch, Nova Zelândia, em 2003. Mas estes são casos extremos.

O blogue de um certo piloto alega que a interferência causada por sinais dos telemóveis é registada nos fones do cockpit, da mesma maneira que muitas pessoas já ouviram interferências nas suas chamadas provocadas por outros aparelhos eletrónicos.

«Não é crítico a nível de segurança, mas é bastante irritante. Claro que não afeta da mesma maneira o rádio dos pilotos. No entanto, se 50 pessoas a bordo não ativaram o modo de voo, haverá 50 telefones constantemente à procura de antenas de telemóveis utilizando o máximo de energia», afirma o piloto.

Assim, tecnicamente os telefones podem eventualmente interferir com os instrumentos do avião, mas apenas a um pequeno nível.

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