Há quase duas décadas que os «barcos zebra» são um clássico da ria Formosa, onde durante todo o ano mostram aos visitantes a riqueza desta reserva natural.

A paisagem pouco mudou desde que, há mais de vinte anos, José Vargas e Isabel Vicente chegaram pela primeira vez à ilha da Barreta – a única desabitada do Parque Natural da Ria Formosa e a que melhor preserva o riquíssimo ecossistema da região.
Os proprietários do Estaminé, o único restaurante da ilha, começaram por fazer visitas guiadas de barco, já direcionadas para o birdwatching, numa altura em que a atividade ainda era pouco conhecida. Foi então que se apaixonaram pela Barreta, que é hoje uma segunda casa para si, embora todos os dias a abandonem ao fim da tarde.
Com cerca de dez quilómetros de extensão, o território mais a sul de Portugal continental é um verdadeiro santuário da natureza, como facilmente se percebe mal começa a viagem num dos famosos «barcos zebra», como são conhecidos os pitorescos catamarãs que, diariamente, fazem uma visita guiada pelos canais da ria, em direção à Barreta.
Considerada uma zona húmida de reconhecido valor internacional, incluída na Lista de Sítios da Convenção de Ramsar (zonas húmidas de importância internacional) e considerada uma IBA – important bird and biodiversity area -, a ria Formosa é, em Portugal, uma das mais importantes áreas para aves aquáticas, uma das suas principais zonas de passagem durante as migrações entre a Europa e África. Durante o inverno, são cerca de duzentas as espécies que aqui se reúnem, vindas de locais tão distantes como a Sibéria ou a Escandinávia, o que faz de toda esta área um verdadeiro santuário para a observação de aves – algumas delas bastante raras em território nacional, como o caimão-comum, também conhecido como galinha-sultana, eleito como símbolo deste Parque Natural.
É também nestas águas que existe a maior concentração do mundo de cavalos-marinhos e há ainda os moluscos, os crustáceos e os peixes: mais de sessenta espécies. Chegados à ilha, um percurso pedonal de interpretação da ria e das dunas estende-se desde o cais, ao longo de dois quilómetros, até ao cabo de Santa Maria, o ponto mais a sul de Portugal continental. Há uma pequena área de praia concessionada, junto ao restaurante, onde a maioria dos banhistas se concentra. Quanto ao resto, são mais de nove quilómetros de areal quase deserto.

Web: ilha-deserta.com

Outros locais para observar aves na ria Formosa

Percurso de São Lourenço
Este percurso junto à Quinta do Lago inclui três ecossistemas diferentes: sapal, mata e lagoa de água doce. Para além da extensa ponte pedonal de madeira, que atravessa o sapal em direção à praia, outro ponto de interesse é o posto de observação de aves, de onde se podem apreciar espécies como galeirões, patos-reais ou marrequinhas. No final do percurso, também se pode ver tanques de salga da época romana.

Centro de Educação Ambiental de Marim
Numa quinta de sessenta hectares à beira da ria – na qual fica a sede do Parque Natural da Ria Formosa – estão representadas as paisagens mais significativas desta área protegida: dunas, sapais, mata, charcos de água doce e zona lagunar, para além de diversos vestígios arqueológicos. Tudo facilmente visitável através de um percurso circular de interpretação da natureza, com mais de dois quilómetros, onde se podem observar diversos passeriformes e várias espécies de aves aquáticas.

 

Texto de Miguel Judas
Artigo da revista Evasões - grátis à sexta-feira com o Diário de Notícias e Jornal de Notícias