Da película ao digital, com os olhos na televisão e uma só preocupação: qualidade.

Ainda me lembro de levar o rolo à loja de fotografia e ter de esperar um ou dois dias pelas impressões. Ou algumas horas, se pagasse o serviço de urgência. Nesse tempo, os rolos eram de 24 ou 36, logo as possibilidades eram muito mais limitadas do que hoje. O tempo de espera podia ser penoso e pouco compensatório.Bastava abrir o envelope com as fotografias em papel e proceder à contagem das que estavam mal enquadradas, desfocadas, queimadas ou que tinham sido disparadas por engano, sem flash ou com o dedo à frente da objetiva. Nessa altura percebia-se muito mais facilmente quem era bom e mau fotógrafo. Hoje não.

Por um lado ainda bem: as máquinas digitais e seus cartões de memória permitem guardar, ver no visor e apagar no momento, repetir a pose ou escolher outro ângulo sem pensar em custos excessivos. Por outro lado, ainda mal: qualquer um pode pensar que é o melhor fotógrafo do mundo, seja com uma câmara ou com um telefone de última geração. E não é. A fotografia continua a ser uma arte em que o trabalho, o saber e a criatividade não podem ser comparados à habilidade de fazer uma selfie ou publicar no Instagram.

Na Volta ao Mundo, há 22 anos que a fotografia é o nosso cavalo de batalha. Tem de surpreender, tem de ter qualidade, tem de fazer sonhar os nossos leitores. Tem de contar uma história.

Sou do tempo do rolo, mas também sou deste tempo em que as imagens da Volta ao Mundo ganham movimento e passam na televisão. Em agosto, na RTP3, vamos mostrar de que é feita Hong Kong, uma cidade que nem mil rolos chegariam para documentar. Evolução: guardar o bom do passado e seguir em frente.

Ricardo Santos, editor
ricardo.santos@globalmediagroup.pt

Por Ricardo Santos, editor