Uma vez que os freelancers e os nómadas digitais aproveitam ao máximo o facto de poderem trabalhar a partir de qualquer lugar, Lisboa está a tornar-se o destino preferido de muitos millennials, que cada vez mais se mudam para a cidade.

Os millennials são os jovens do novo milénio: têm ideias inovadoras, não gostam de ficar fechados num escritório oito horas por dia, cinco dias por semana. E as novas tecnologias permitem que não estejam presos a uma cidade.

Há alguns anos, Lisboa começou a ser falada mundialmente e chegou mesmo a ganhar vários prémios. Milhares de turistas invadem as ruas da capital diariamente e é fácil perceber as razões – clima ameno, dias longos e com sol, custo de vida mais baixo do que em muitos países, fácil acesso às praias, entre muitos outros fatores.

Mas os millennials não chegam apenas para passar umas férias na cidade das sete colinas. Os jovens adultos pretendem mudar-se para Lisboa e estão a fazê-lo em massa.

«Eu e a minha namorada viemos para Lisboa em 2013 porque precisávamos de uma mudança. Tínhamos começado a trabalhar como freelancers, e Lisboa pareceu-nos um ótimo lugar para vivermos. Era acessível e tinha um clima excelente. Ficámos até hoje», explica James Cave, de 31 anos, ao Independent.

Outros recém-chegados à cidade por vezes vêm de visita mas acabam por gostar tanto que nunca chegam a sair. «Originalmente vim a Lisboa apenas para uma semana de trabalho. Estava a a produzir a música para a Semana da Moda de Lisboa”, diz Chris Savor, 31 anos, que se mudou para Lisboa há três meses e vive no Príncipe Real. «Adorei tanto a onda do local que decidi viver aqui». Atualmente, Chris gasta cerca de 800 euros por mês na renda da casa, o que equivale a metade do que pagava no Reino Unido. «Adoro Lisboa! O clima é sempre ótimo, adoro a arquitetura antiga e as ruas paralelas, as praias são maravilhosas e o ambiente que se vive é verdadeiramente único», assume ao Independent, entusiasmado.

«Aquilo que mais gosto em Lisboa é a qualidade geral de vida que tenho aqui», diz Kev Harrison, de 37 anos, que vive na área de Paço De Arcos, nos arredores da cidade. «É impossível de se comparar a qualquer outro lugar onde já vivi. A oferta de alimentos frescos a preços razoáveis; as condições climáticas; o custo e a qualidade dos transportes públicos – é tudo muito melhor».

Aristote Koen, de 25 anos, que se mudou para a zona de São Domingos de Benfica, concorda: «A minha qualidade de vida é excelente. Aluguei um quarto acolhedor com limpeza semanal numa casa partilhada por 370 euros por mês. A cidade é multicultural, a comida é excelente, os preços são baixos e os locais são amigáveis. E pode sentir-se a riqueza histórica e cultural da cidade em qualquer lugar. Já para não falar de que há empresários de toda a Europa, o que é ótimo».

Há uma comunidade nómada crescente na cidade, composta por trabalhadores freelancers de todo o mundo, que se instalam na capital durante alguns meses ou mesmo anos. Rosanna Lopes, de 33 anos, tem dirigido um grupo de trabalhadores freelancers há dois anos. «O meu objetivo era integrar o cenário das start-ups no cenário dos nómadas digitais”, afirma. Neste momento, a sua comunidade nómada tem cerca de 150 pessoas, que trabalham num espaço de co-working.

Apesar das queixas por parte dos moradores locais – principalmente dos que vivem nos bairros tradicionais, como Alfama ou Graça -, a tendência é que Lisboa continue a atrair milhares de jovens millennials.


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