Saiba o que pode mudar e o que se vai manter em Cuba. Escolha o que visitar na ilha que aposta quase tudo no turismo.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, aterrou este domingo em Havana para uma histórica visita de dois dias. Barack Obama viajou acompanhado da mulher, Michelle, as duas filhas e a sogra e foi recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodriguez.

Depois de mais cinquenta anos de embargo económico entre os dois países, fala-se na mudança que, aos poucos, já está a abrir portas para ambos os lados. Troca de prisioneiros, reabertura das embaixadas, levantamento das restrições às viagens, incentivos aos negócios, são muitos os passos que se deram nos últimos 15 meses para normalizar as relações entre EUA e Cuba, contornando o embargo. Mas ainda há obstáculos pelo caminho. O embargo é dos maiores, com o Congresso dominado pelos republicanos a travar qualquer tentativa de pôr fim ao bloqueio comercial.

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Há uma ligação diária durante todo o ano desde Madrid para a capital Havana, através da Air Europa (www.aireuropa.com). O voo tem a duração de cerca de nove horas.

A não perder

Cuba é um dos países mais procurados por turistas de todo o mundo. Com algum receio do que possa vir a acontecer, vários operadores turísticos passaram a ter à venda pacotes especiais para «conhecer o país do regime castrista». Com o turismo em massa que se espera é inevitável que alguns dos locais mais procurados comecem a transformar-se para dar resposta à procura. E isso tem aspetos positivos e negativos, como a melhoria das infraestruturas ou a perda de identidade.

Sugestões:
» Na província Cidade de Havana, uma das 15 que formam Cuba, encontramos a capital deste país: Havana. É no centro histórico e cultural, com arquitetura colonial e por onde circulam os emblemáticos carros dos anos 1950, que se descobrem os ritmos quentes da música em cada esquina.

» A visita a uma fábrica de charutos cubanos faz parte de qualquer itinerário. Região importante é Pinar del Rio, única na ilha a produzir charutos Havanos, considerados por muitos os melhores do mundo.

» Passagem pela cidade colonial mais bem preservada das Caraíbas: Trinidad. Acaba de celebrar o 500.º aniversário e, a 12 quilómetros, tem o Valle de los Ingenios, centro de produção de açúcar que fez história entre o fim do século XVIII e meados do século XIX. Por ali passaram mais de trinta mil escravos e é hoje classificado como Património Mundial pela UNESCO.

» Se a vontade de seguir os passos de Fidel Castro e Che Guevara for muita, nada como subir ao Pico Turquino, o ponto mais alto de Cuba (1974 metros). Fica a sudeste da ilha, no Gran Parque Nacional Sierra Maestra, o local onde o Movimiento 26 de julio (M-26-7) se expandiu durante a Revolução Cubana que culminou com a deposição de Fulgencio Batista em 1959. Um desafio que exige um moderado esforço físico, rodeado de pontos de interesse e muita natureza.

» Se perguntar pelo lugar preferido de Fidel Castro, a resposta é Viñales. É um dos locais mais procurados em Cuba pela sua beleza natural e rural, mas com atividades para todos os gostos. Os agricultores a trabalharem a terra, plantações de tabaco, a técnica de fabrico de charutos, passeios a cavalo ou trilhos pedestres são algumas das opções neste vale classificado como Património Mundial pela UNESCO.


É esta viagem a Cuba que quer fazer


Virado para as águas do Atlântico, Baracoa continua a ser um dos destinos de viagem mais encantadores do país. É uma cidade ainda muito isolada mas cheia de vida, graças à cultura e à diversidade da paisagem, composta por montanhas, rios e praias impressionantes. Para os amantes de música, aqui ouve-se o tradicional estilo changüí. Destacam-se também as florestas tropicais que abrigam milhares de espécies de fauna e flora, muitas das quais raras ou em extinção. É um paraíso à beira-mar entre zonas áridas ou de plantações férteis. Não perca também os 17 metros de queda de água de Saltadero.

» Música é uma palavra muito forte em Cuba. Salsa é o estilo de dança cubano. É obrigatório ver dançar quem sabe, mas ainda mais importante é dar um passinho em compasso de quatro tempos. Este estilo nasceu de influências da Europa com a chegada de milhares de escravos africanos à ilha. Foi o ponto de partida para vários ritmos, influenciando até hoje a dança a nível mundial em estilos como a rumba ou o cha-cha-cha.

Locais classificados como Património Mundial pela UNESCO:
Velha Havana e suas fortificações;
Trinidad e o Valle de los Ingenios;
Castelo San Pedro de la Roca,
Santiago de Cuba;
Parque Nacional Desembarco del Granma;
Vale Viñales;
Local Arqueológico das Primeiras Plantações de Café no Sudeste de Cuba;
Parque Nacional Alejandro de Humboldt;
Centro Urbano Histórico de Cienfuegos;
Centro Histórico de Camagüey;

Dormir

Os hotéis em regime all inclusive ainda são a imagem de marca do país, se bem que comecem agora a aparecer alguns hotéis mais pequenos, de charme, e casas privadas para alugar, sobretudo nas cidades. O H10 Panorama, com vista para o mar, é uma boa solução para quem ficar em Havana (h10hotels. com), este apenas com pequeno almoço incluído. Nos resorts junto à praia, destaque para o Melia Jardines del Rey (meliacuba.com/cuba-hotels/hotel-melia-jardinesdelrey), localizado em Cayo Coco. Um espaço de luxo, composto por apartamentos. onde nada falta. Destaque também para o Brisas de Santa Lucía (hotelescubanacan.com), na província de Camagüey e para o Brisas Guardalavaca (brisasguardalavaca.com) e o Hotel Playa Pesquero (hotelplayapesquero.info), ambos na província de Holguín.

Comer e beber

Comer
A gastronomia cubana não será, certamente, o ponto forte da ilha, até pela relativa escassez de produtos próprios – se bem que o camarão e a lagosta sejam duas das especialidades locais. É uma cozinha relativamente pobre (com forte influência espanhola e africana) à base de arroz, feijão, batata, yuca e muita carne, sobretudo porco. Não quer isso dizer que não valha a pena experimentar os pratos típicos locais. Bem pelo contrário. Em Havana, por exemplo, há vários restaurantes de comida crioula bem no centro da cidade. Experimente os mais caraterísticos (quase frequentados só por cubanos) e onde é possível comer por menos de cinco euros. Sim, porque a vida em Cuba não é tão barata como se possa pensar, mesmo para os turistas. Quem quiser jogar pelo seguro pode estar descansado, pois são muitos os restaurantes de comida internacional, com especial destaque para as cozinhas espanhola e italiana.

Beber
Em Cuba a bebida não é um simples acompanhamento da comida e merece destaque por si só. Não tivesse este país um cocktail com o seu nome conhecido em todo o mundo: Cuba Livre – rum, refrigerante de cola e limão. Mas há muitos outros cocktails famosos tais como mojito, daiquiri (herdou o nome de uma praia próxima de Santiago de Cuba) e piña colada. A canchánchara (rum, mel e limão) é outra das combinações mais tradicionais, embora menos conhecida além-fronteiras. O rum, a bebida nacional, é omnipresente.

Mais informações:

Moeda: Há duas moedas. O peso cubano (CUP) e os pesos conversíveis (CUC), a moeda do turista. Um CUC representa sensivelmente um Euro.
Fuso horário: GMT – 5 horas
Idioma: Espanhol
Documentos: Passaporte com validade mínima de seis meses e visto obrigatório (normalmente é tratado pelas agências de viagens e incluído no preço). A saída do país é necessário pagar 25 CUC, relativo a taxais locais.
Quando ir: Quase todas as épocas são boas. Até novembro convém estar preparado para a possibilidade de aguaceiros diários. A partir daí começa a estação seca. Com ou sem chuva, a temperatura é quase sempre alta e a humidade elevada.

autenticacuba.com
turismodecuba.info

 

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Por Nuno Mota Gomes- Fotografias Jorge Amaral/Global Imagens