A ideia andava na cabeça dos dois amigos há uma série de tempo: queriam fazer uma viagem de carro pela Europa. Não sabiam quando. Não sabiam para onde. Não sabiam quanto tempo iriam demorar. E também não sabiam em que carro – porque não tinham nenhum. Mas a coisa haveria de se resolver.

E resolveu. No dia 6 de janeiro deste ano, Francisco Silva e Rafael Espindola (ambos com 20 anos) saíram da Parede (Cascais) e fizeram-se à estrada. Destino: Roma. Meio de transporte: a carrinha Kia Pregio de 1998, com 350 mil quilómetros no motor, sem ar condicionado, presente dos avós de Francisco. E com duas condições: estarem de regresso a 1 de março, véspera dos aniversários das mães de ambos e dormirem sempre na carrinha, para pouparem dinheiro.

Porque não esperar pela primavera, então, quando as temperaturas são mais amenas? «Porque assim não podíamos ir fazer snowboard a Andorra», diz Rafael. Os seis dias que passaram no principado foram, até agora, os únicos em que dormiram em camas e tomaram banho de água quente. «Houve dias em que tomei três banhos, só para voltar a sentir o conforto», diz Francisco.

Durante a restante viagem têm dormido em sacos-cama, dentro da carrinha, e tomado banhos de água fria, graças aos dois jerricans (de dez e trinta litros) que levam com eles para higiene e refeições. Todos os dias? «Nem sempre», diz Francisco. «Já passamos três dias sem banho, porque a água está gelada. Se fosse no verão era pior.»

Fizeram a costa vicentina, depois toda a costa sul de Portugal e entraram na Andaluzia a 15 de janeiro. Depois seguiram ao longo da costa até à Catalunha – Barcelona foi, até agora, a cidade de que mais gostaram – e continuaram até Andorra e entraram em França, seguindo para Itália. Têm passado duas a três noites em cada local.

Já passamos três dias sem banho, porque a água está gelada. Se fosse no verão era pior.

Acordam todos os dias pelas oito da manhã e vão dormir entre as dez e a meia-noite. O fogão de campanha e a pequena bilha de gás servem de apoio às refeições. Até agora já gastaram cerca de dois mil euros e esperam manter a estimativa de custos inicial: 2500 euros. Têm feito compras ao longo do caminho, porque as 14 latas de atum, dois quilos de esparguete, dois quilos de arroz, azeite, cereais, sal e açúcar que tinham à saída não iam chegar para tudo. Mas ainda têm as duas latas de feijão.

Uma pequena constipação de Francisco e um sobreaquecimento do motor da carrinha foram, até agora, os únicos contratempos. O primeiro resolveu-se com antigripais, o segundo implicou uma alteração de planos: quando saíram de Andorra, passaram a percorrer apenas cerca de cem quilómetros diários, para evitar esforçar demasiado o motor. Resultado: os oito mil quilómetros inicialmente previstos tiveram de ser encurtados. E em vez de chegar a Roma, os dois amigos ficaram por Génova, para garantir que conseguiam aproveitar da melhor forma as escalas que iam fazendo. Neste momento estão prestes a entrar em Portugal, pela fronteira de Vilar Formoso, e contam com seis mil quilómetros de estrada.

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